MATO GROSSO
Governador entrega 150 óculos inteligentes a estudantes e professores: “Vão ter condição de vida muito melhor”
MATO GROSSO
O governador Mauro Mendes afirmou que os óculos inteligentes com dispositivo de leitura, entregues pelo Estado nesta quarta-feira (06.04), vão dar uma “condição de vida muito melhor” a 150 estudantes e professores cegos da rede estadual, beneficiados com a ação.
A entrega simbólica ocorreu no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, e vai beneficiar 14 municípios.
Durante o evento, o equipamento foi testado e um dos estudantes com deficiência visual conseguiu, por meio dos óculos, ler uma manchete de revista, identificar uma cédula de dinheiro e reconhecer a cor de uma carteira.
“Confesso que me emocionei muito vendo os alunos, crianças, mães, pais, que representam essas pessoas. São mato-grossenses que, através dessa tecnologia, vão ter uma condição de vida muito melhor. É algo extraordinário para os alunos”, destacou o governador.
O dispositivo adquirido pelo Governo de Mato Grosso se chama OrCam MyEye, e possibilita identificar produtos por meio de códigos de barras, reconhecer cores com um simples toque e, por ser dotado de leds, opera também no escuro.
Os óculos contam com reconhecimento automático de notas de dinheiro, informa a hora e a data ao girar o punho como se estivesse com um relógio; tem câmera intuitiva acoplada à armação, que fotografa, escaneia e transforma textos em português, inglês e espanhol de qualquer superfície em áudio instantaneamente.
O aparelho possui controle de velocidade, possibilitando a leitura de 100 a 250 palavras por minuto, permite escolher entre voz masculina e feminina, pausar, adiantar ou retroceder a leitura. Tudo isso em modo off-line, sem a necessidade de internet.
“Vamos trabalhar para que essa tecnologia traga mais alegria e oportunidade para todas essas pessoas. Precisamos ajudar aqueles que mais precisam do amparo do Estado, com justiça e igualdade. E vamos agora estudar uma forma de também poder levar esse benefício para as redes municipais de ensino”, adiantou Mauro Mendes.
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.