MATO GROSSO
Governo de MT se reúne com comerciantes do Shopping Popular e deve liberar linhas de crédito
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As tratativas iniciais para o suporte financeiro foram discutidas em reunião conduzida pelo governador em exercício, Otaviano Pivetta, com representantes da Associação dos Camelôs do Shopping Popular e membros das bancadas federal e estadual. O encontro ocorreu no Palácio Paiaguás.
Otaviano Pivetta destacou que o Governo de Mato Grosso é solidário à situação dos comerciantes e vai buscar, com celeridade, os meios adequados para auxiliar os afetados.
“Fizemos uma primeira reunião e a Associação nos pediu o estudo da liberação de crédito. Há boa vontade de todos os lados para apoiar os comerciantes após essa tragédia e vamos fazer isso organizadamente, com toda celeridade possível”, afirmou o governador em exercício.
“Para o governador Mauro Mendes, o camelô é emblemático, porque foi na época dele, como prefeito de Cuiabá, que esse espaço do Shopping Popular foi requalificado. Vamos fazer todos os esforços necessários e possíveis para que a gente possa ajudar na recuperação da vidas dessas famílias”, completou.
Conforme o secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, ficou acordado que a Associação deve entregar ao Governo o balanço dos danos causados pelo incêndio, bem como as informações legais e jurídicas dos comerciantes, para subsidiar a criação de uma linha de crédito emergencial pela agência estadual de fomento, a Desenvolve MT.
“Pedimos o levantamento da situação legal dos comerciantes e do espaço, porque a legislação federal coloca limitações a respeito dessa liberação de crédito. Então, precisamos das informações para que a gente possa dimensionar o que a lei nos permite ajudar e, assim, trabalhar para criar as condições para que a gente possa ajudar a todas as famílias afetadas”, explicou.
Uma nova reunião com os representantes dos comerciantes deve ser realizada ao final da tarde desta segunda-feira (15).
Participaram da reunião no Palácio Paiaguás o senador Jayme Campos, os deputados federais Gisela Simona, Abílio Brunini, Coronel Assis e Coronel Fernanda, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho, e os deputados estaduais Janaina Riva, Elizeu Nascimento, Wilson Santos, Dr João, Carlos Avallone, Júlio Campos, Lúcio Cabral, Rafael Ranalli, Sebastião Rezende, Dilmar Dal’Bosco e Juca do Guaraná.
Também, o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, Leo Bortolin, o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a presidente da Desenvolve MT, Mayran Beckman, o procurador-geral do Estado, Francisco Lopes, e o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Flávio Glêdson Bezerra.
Fonte: Governo MT – MT
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.