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Prefeito cita risco de colapso na Saúde, promete mais testes e lamenta que governo não reabra Centro de Triagem

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O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) pontuou, na manhã desta segunda-feira (10), ao tomar a sua terceira dose da vacina contra a Covid-19, que o sinal de alerta já foi ligado na Saúde do município. Ele citou risco de que a rede entre em colapso, prometeu a compra de mais testes para melhorar o atendimento à população e lamentou o fato de o governo do Estado não reabrir o Centro de Triagem novamente.

“Nós estamos monitorando. Está sendo feito o atendimento em unidades básicas de Saúde. Montamos um plano de ação e, esta ação conjunta da nossa rede está funcionando neste primeiro momento, em que houve aumento de casos de síndrome gripal. Já determinei que as unidades não parem no almoço”, disse o prefeito.
 
Nos próximos dias, Emanuel prometeu continuar monitorando a situação e, se for necessário, determinará a abertura das unidades no fim de semana. “Tudo o que tiver que ser feito, vamos fazer”.
 
“Há ameaça de colapso na rede, no sistema. Mas ainda estamos em um nível que não é preocupante. A prefeitura de Cuiabá faz tudo com planejamento”, pontua Emanuel.
 
O prefeito ainda lamentou o fato de o governador do estado decidir não reabrir o Centro de Triagem. “Ouvi o governador dizendo isto. Fiquei preocupado, pois entendo ser o momento adequado para novamente abrir o centro de triagem, em parceria, somar esforços para combater a pandemia e estes surtos”.
 
Questionado sobre os problemas enfrentados pela população nas unidades de saúde, que estão lotadas e com número de testagens baixas, o emedebista comentou que tudo se deve ao comportamento do surto. “Tínhamos toda a estrutura para aquela demanda. De uma hora para outra, ela aumentou muito. Estamos tomando medidas para adquirir mais testes rápidos, com urgência, para melhorar o atendimento”.

Via Crucis
 
Quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS) há tempos enfrenta diversas dificuldades para conseguir consultas, exames e medicamentos. Acrescente a isto uma pandemia, junto a um surto de gripe. O resultado é o que a população tem enfrentado atualmente em Cuiabá, com pouca capacidade para atendimentos e realização de testes de Covid-19.
 
Com o fechamento do Centro de Triagem, por conta do arrefecimento da pandemia naquela época, restou aos moradores de Cuiabá procurar as unidades básicas de saúde, o que vinha funcionando até então.
 
Porém, no fim do ano passado, a variante Ômicron fez aumentar o número de infectados pela Covid-19 e um surto de gripe, também com uma nova cepa da H3N2, trouxe um acréscimo exacerbado de pessoas procurando atendimento médico.
 
Na quinta-feira (06), a reportagem procurou atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Quilombo. Durante a manhã, a primeira negativa. A atendente disse que existe um limite de apenas dez testes de Covid-19 por perído. O pedido foi para o retorno na parte da tarde. Chegado o momento, no horário combinado, a resposta foi a mesma: “não há vagas”.
 
A orientação repassada foi a de que aguardasse o próximo dia ou procurasse outra unidade de saúde. Ao seguir até uma, no bairro Ribeirão do Lipa, a informação repassada por uma das enfermeiras era de que “o atendimento é prioritário para os moradores da região”. Além disto, os insumos estavam escassos e, provavelmente, não durariam nem até o fim de semana.

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Na sexta-feira (07), o mesmo trajeto até a UBS do Quilombo, com a promessa de atendimento pela manhã. Ao chegar, 30 minutos antes do combinado, a mesma atendente informou que a unidade estava sem médico e que as consultas e testes seriam feitos somente na segunda-feira (10).
 
A nova recomendação foi procurar o Centro de Saúde Ana Poupina, no bairro Dom Aquino, desta vez, sem nenhuma promessa, pois a informação era de que “está lotado”. O trajeto de quatro quilômetros foi feito, mas ao chegar na porta da unidade, a mesma resposta: “As fichas para atendimento já foram encerradas, pois o limite foi alcançado”. A recomendação: voltar durante a tarde.
 
Tal situação expõe o que está sendo chamado de “apagão de casos”. Isso acontece porque, a pessoa que não tem as mesmas condições de deslocamento ou financeira para pagar um teste particular, tem apenas duas opções: retornar para tentar a sorte no dia seguinte ou não fazer o exame e continuar na dúvida. Com a vacinação avançada e os casos da Ômicron sendo leves, muitos acabam desistindo de procurar atendimento médico, o que – consequentemente – não leve aos números a realidade enfrentada.
 
A epopéia em busca de um teste da Covid-19 na rede municipal tem sido comum. No aguardo de atendimento e pouco depois das negativas, a reportagem visualizou várias pessoas passando pela mesma situação.

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Para melhorar o fluxo de atendimento aos usuários, a Secretaria Municipal de Saúde lançou o Plano de Enfrentamento à Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave, que começou a valer no dia 27 de dezembro do ano passado.
 
Na nova metodologia, todas as unidades básicas de saúde (UBS) passaram a atender aos pacientes com sintomas gripais leves em livre demanda, ou seja, sem necessidade de agendamento. Isso significa que pessoas com sintomas como coriza, mal-estar, febre, diarreia e tosse, devem procurar a unidade de saúde da família mais próxima de sua casa.
 
Já ao sentir um desconforto respiratório ou aumento da frequência respiratória, por exemplo, o indicado é procurar a unidade de pronto atendimento. Os casos que necessitarem de internação serão encaminhados para o Hospital Referência à Covid-19 (antigo Pronto Socorro) ou para o Hospital são Benedito, de acordo com o Plano de Enfrentamento.

 

FONTE/REPOST: Wesley Santiago/Max Aguiar – OLHAR DIRETO

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Remédio sem hormônio para a menopausa abre alternativa para quem ficou anos sem tratamento

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“A onda de calor não é um desconforto qualquer. É a mulher acordando encharcada de suor no meio da noite, é o rosto pegando fogo numa reunião cheia de gente. E eu tenho paciente convivendo com isso há anos, sem ter para onde correr”, diz a ginecologista Dra. Fabiana Bersch. Para parte dessas mulheres, a ciência trouxe uma saída. A Anvisa aprovou nesta segunda-feira, 22 de junho, o fezolinetanto, primeiro medicamento sem hormônio autorizado no Brasil para tratar as ondas de calor e o suor noturno de intensidade moderada a intensa associados à menopausa.

Os calores e suores noturnos são o sintoma mais conhecido do climatério e atingem até 80% das mulheres entre 40 e 65 anos. Não são raros nem passageiros: duram, em média, sete anos, e em alguns casos chegam a dez. Mesmo assim, boa parte das pacientes nunca recebeu um tratamento à altura.

O novo remédio será vendido pela Astellas Farma com o nome Veoza, em comprimido de uso diário. A aprovação se baseou em estudos clínicos que reuniram mais de 3 mil mulheres na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. Diferente da reposição hormonal, o fezolinetanto age direto no cérebro. Na menopausa, a queda do estrogênio faz uma substância chamada neurocinina B agir de forma exagerada no hipotálamo, a região que controla a temperatura do corpo. É esse descontrole que dispara os calorões. O medicamento bloqueia essa substância e acalma o termostato interno.

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Para a Dra. Fabiana, quem mais ganha com a novidade são as mulheres que até agora não tinham uma alternativa segura. Ela cita dois grupos. “O primeiro são as mulheres que tiveram câncer de mama. Muitas não podem usar hormônio de jeito nenhum, e conviviam com os calores sem nenhuma alternativa aprovada. Para elas, isso muda o jogo”, afirma.

O segundo grupo é menos comentado, mas igualmente grande.“São as mulheres que perderam a janela de oportunidade da reposição. Quando a terapia hormonal não começa nos primeiros anos da menopausa, iniciar muito depois pode trazer mais risco do que benefício. Essas pacientes ficavam órfãs de tratamento. Agora elas têm uma saída”, explica.

A médica comemora o avanço, mas faz questão de colocar a novidade no lugar certo. O fezolinetanto trata o calor e o suor. Ele não age sobre os outros efeitos da queda do estrogênio. “Preciso ser honesta com as minhas pacientes. O remédio cuida das ondas de calor e do suor noturno, e faz isso bem. Mas ele não trata a perda de massa óssea, a secura vaginal, o sono, o humor nem a saúde do coração. A menopausa é muito maior do que um sintoma só”, diz.

É aí que entra o trabalho que ela defende, de olhar para a mulher por inteiro e não só para a queixa do momento. “O remédio é uma ferramenta nova e importante, não um atalho. A mulher continua precisando de uma avaliação completa, porque tratar um sintoma isolado não é a mesma coisa que cuidar da mulher inteira”, reforça.

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A ginecologista também pede cautela com a expectativa. O medicamento que ainda não chegou às farmácias, exige acompanhamento, incluindo exames para monitorar o fígado. “Já vejo gente animada querendo o remédio. Ele ainda não está disponível e não é para sair tomando por conta própria. A indicação precisa ser individual, com avaliação e acompanhamento”, orienta.

Quando não tratados, os calores e suores noturnos vão muito além do incômodo. Tiram o sono, afetam a memória, o humor e a produtividade. Cuidar bem dessa fase, lembra a médica, é cuidar do futuro da mulher. “A menopausa é o fim da vida reprodutiva, não da vida produtiva. Quanto mais opção de tratamento a mulher tiver, e quanto melhor o acompanhamento, melhor ela vive os anos que vêm pela frente”, conclui.

Sobre a Dra. Fabiana Bersch

Dra. Fabiana Bersch é ginecologista com mais de 25 anos de experiência, com foco em saúde integrativa da mulher. Tem pós-graduação em Medicina Integrativa e concluiu, em 2026, o programa de atualização em saúde da mulher e menopausa (WHAM) da Harvard Medical School. Atende presencialmente em Primavera do Leste (MT) e on-line para todo o Brasil.

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