POLITÍCA NACIONAL
Ativistas cobram maior atuação do Congresso pela igualdade racial
POLITÍCA NACIONAL
Ativistas cobraram nesta segunda-feira (21) atuação mais ampla do Congresso Nacional no combate à violência racial e à intolerância religiosa. Eles participaram de sessão solene da Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
Liderança afro-brasileira nas comunidades de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais (LGBT+), Ludymilla Santiago alertou para a existência do que chamou de “política pública de extermínio” no País, responsável pela morte de um jovem negro a cada 20 minutos. “Muitas vezes eu saio de casa sem saber se vou retornar, em razão do meu corpo e do que eu represento nesta sociedade”, relatou.
Segundo a ativista, a luta pela pauta de igualdade racial deve ser adotada pelo Congresso como um todo, e não apenas pela liderança específica de um partido.
Eleito deputado distrital, o ativista Max Maciel (Psol) disse que a ocasião é mais para reforçar a luta em prol da igualdade do que comemorar possíveis avanços na pauta. Ele cobrou maior atuação do Legislativo para que o negro seja incluído na sociedade pelo seu potencial pessoal, e não como vítima.
“Para que a gente possa andar nas ruas sem ser objeto de suspeita do policial”, reivindicou. “A grande maioria dos mortos no Brasil por causas externas e por mortes violentas é o povo preto e periférico”, acrescentou.
Jovem negra e bissexual, a deputada Vivi Reis (Psol-PA) disse ser preciso combater a estatística pela qual o corpo negro apenas ocupa lugares de opressão. “O nosso corpo está aqui como corpo político, segue estudando, ocupando as vagas nas universidades por meio das leis de cotas. Estamos escrevendo uma nova história”, disse a parlamentar, uma das que solicitaram a solenidade.
Já a deputada Tereza Nelma (PSD-AL) enfatizou a violência contra as mulheres negras no País. Segundo dossiê do Instituto Patrícia Galvão, apresentado pela deputada, essas mulheres representam 59% das vítimas de violência doméstica e 53,6% das vítimas de mortalidade materna. “A cura da chaga causada pelo racismo depende de profundas restruturações das relações sociais e de poder”, disse a parlamentar.
Mercado de trabalho
Em discurso lido em Plenário pela deputada Vivi Reis, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), traçou um diagnóstico da situação da população negra no País, composta por 110 milhões de pessoas, o maior contingente de negros fora do continente africano.
Lira apontou a desigualdade no mercado de trabalho: “das 500 empresas de maior faturamento no Brasil, apenas 5% das cadeiras nos conselhos de administração são ocupadas por pessoas negras”. Citando pesquisa do instituto Ethos, ele observou que os negros ganham 30% a menos que brancos, em todos os níveis hierárquicos e de escolaridade.
No entanto, o presidente reconheceu alguns avanços, como na área da educação. “O número de estudantes negros em universidades públicas ultrapassou o número de brancos em 2019. Ainda que esse número continue sub-representado, é um avanço em relação aos anos anteriores e demonstra que a população negra está melhorando seus índices educacionais”, ressaltou Lira.
Liberdade religiosa
As ialorixás (mães de santo) Mãe Baiana e Mãe Vilcilene falaram em nome dos povos tradicionais de matriz africana e defenderam uma “reparação histórica urgente” à população negra.
Em seu discurso, Mãe Baiana enfatizou o direito à liberdade religiosa. “A gente não está tendo a nossa liberdade religiosa de professar aquilo que eu amo e que meus ancestrais deixaram para mim. Um legado que eu preciso conduzir e ser conduzida pela minha espiritualidade”, disse.
Durante a solenidade, as líderes religiosas evocaram a proteção de Exu, divindade iorubá responsável por guardar os conhecimentos e a sabedoria da cosmovisão de matriz africana.
Elas defenderam a aprovação do Projeto de Lei 1279/22 , conhecido como Lei Makota Valdina, em homenagem à educadora e ativista baiana Valdina de Oliveira Pinto. O texto institui o marco legal dos povos e comunidades tradicionais de matriz africana.
Legalização das drogas
Na visão do deputado distrital Fábio Félix (Psol-DF), a atual política antidrogas é uma política de criminalização e de perseguição sistemática da juventude negra. “Quando a gente fala da legalização da maconha, a gente fala da liberalização da violência nas periferias do País”, defendeu.
Ele cobrou esforço do Congresso para debater a legalização, como parte da tarefa de enfrentamento ao racismo.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados Federais
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.