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POLITÍCA NACIONAL

Comissão debate impacto da exploração de urânio e fosfato em município cearense

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POLITÍCA NACIONAL

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre os impactos da Ciência e da Tecnologia e Inclusão Digital do Idoso. Dep. Denis Bezerra (PSB-CE)
Bezerra: vamos avaliar o impacto ambiental e na saúde humana do empreendimento

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados realiza audiência pública nesta quinta-feira (23) para analisar as vantagens e desvantagens do projeto de mineração no município de Santa Quitéria (CE).

O debate será realizado às 15 horas, no plenário 13, e poderá ser acompanhado de forma virtual e interativa pelo e-Democracia.

O deputado Denis Bezerra (PSB-CE), que pediu a audiência, disse que o projeto Santa Quitéria, proposto pelas empresas Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Galvani, que formam o Consórcio Santa Quitéria, visa promover a separação do urânio e do fosfato.

“A iniciativa surge das pressões para construção de novas usinas nucleares no Brasil, que utilizam o urânio como combustível, e do aumento da demanda pelo agronegócio de fertilizantes e ração animal, produzidos a partir do fosfato”, observou o deputado.

Pesquisas e estudos comprovaram que o urânio encontrado no local está associado ao fosfato, o que fez com que a INB buscasse um parceiro na iniciativa privada para beneficiar a parte referente ao fosfato.

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“Com investimentos previstos de R$ 2,3 bilhões, o projeto Santa Quitéria prevê a produção anual de cerca de 1,05 milhão de toneladas de fertilizantes fosfatados e 220 mil toneladas de fosfato bicálcico (usado na nutrição animal), com destinação à agropecuária no Norte e Nordeste”, disse.

Na outra ponta, completou Bezerra, “deverá produzir 2,3 mil toneladas de concentrado de urânio, a ser convertido em hexafluoreto de urânio (UF6) no exterior, o qual retornará ao Brasil para uso na fabricação do combustível para a geração termonuclear das usinas de Angra 1, 2 e, futuramente, 3”.

A audiência, segundo ele, pretende avaliar o impacto ambiental e na saúde humana do empreendimento, bem como discutir e construir caminhos para que a comunidade científica e a população participem da tomada de decisão sobre o projeto.

Debatedores
Confirmaram presença na audiência:
– o coordenador geral de Reatores e Ciclo do Combustível da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Jefferson Borges Araújo;
– o prefeito de Santa Quitéria, José Braga Barrozo;
– o representante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração Erivan Camelo da Silva;
– a quilombola Isabel Cristina Silva, Rejane Mateus (assentamento Queimadas), e José Antonio (aldeia Quixaba), representantes da Articulação Antinuclear do Ceará;
– a professora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, Raquel Maria Rigotto; e
– o professor e pesquisador do Núcleo Tramas, Rafael Dias Melo.

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Da Redação – RS

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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