POLITÍCA NACIONAL
Especialistas sugerem grupo de trabalho e aprovação de lei para lidar com dependência tecnológica
POLITÍCA NACIONAL
Especialistas ouvidos pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (27) alertaram para os impactos da dependência tecnológica na sociedade e sugeriram uma série de iniciativas para lidar com a questão, como a formação de grupo de trabalho na Casa para estudar a questão e legislação específica sobre o tema.
O deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), que pediu o debate, informou que ainda em 2015 apresentou um projeto de lei (PL 2498/15) propondo a criação de centros de atenção aos usuários compulsivos de serviços de internet e redes sociais, a fim de orientar quanto à sua utilização de forma controlada e moderada.
Ele lamentou a tramitação lenta da proposta na Casa, atribuindo-a à pressão das big techs. A proposta prevê que os provedores de acesso à internet mantenham, em conjunto ou separadamente, pelo menos um centro de atenção a usuários compulsivos em cada estado.
A psicóloga clínica e terapeuta cognitivo-comportamental Aline Paz disse que há dois tipos de dependência – uma “natural”, que permite aos usuários tirar proveito das tecnologias, de forma que não gera sofrimento quando não há possibilidade de contato com as tecnologias; e a dependência “patológica”, que gera medo, angústia, ansiedade, quando não há possibilidade de acesso ao celular, computador e internet.
Segundo ela, essa dependência patológica recebe o nome de “nomofobia” (do inglês, no-mobile phobia), e o tratamento inclui o uso de medicamentos, como antidepressivos e ansiolíticos, e terapia cognitivo comportamental.
A psicóloga considera importante a adoção de políticas públicas para alertar a população sobre os efeitos nocivos da dependência tecnológica, por exemplo, por meio de campanhas publicitárias do Ministério da Saúde e da educação na escola para uso adequado das tecnologias. Aline Paz manifestou apoio ainda ao Projeto de Lei 2498/15.

Efeitos sobre crianças
O coordenador do grupo de dependências tecnológicas do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, Cristiano Nabuco, alertou para os efeitos nocivos das tecnologias não apenas sobre a saúde mental, como sobre o raciocínio, especialmente em crianças pequenas, citando estudo do pesquisador francês Michel Desmurget.
“Ele descobriu que crianças francesas que gastavam 50 ‘minutinhos’ por dia no celular dos pais, no final de dois anos deixavam de escutar 850 mil palavras. Simplesmente uma exibição passiva já compromete o desenvolvimento da linguagem”, alertou.
Segundo Nabuco, desde 1996, quando o primeiro smartphone foi lançado, o QI (Quociente de Inteligência) mundial está sofrendo um decréscimo. Antes disso, a tendência era de aumento do QI a cada nova geração. O médico contou de um caso grave de um menino de 15 anos, que fica conectado a jogos on-line 55 horas ininterruptas.
“Ele não sai para se alimentar, ele urina na calça, e ele evacua na calça exatamente para não parar de jogar. Ou seja, as pesquisas vão mostrar que os caminhos, os circuitos neuronais do nosso cérebro que são ativados quando ele usa a tecnologia, são muito parecidos com aquela que é ativada quando ele consome álcool ou drogas”, disse.
O especialista defendeu, além da criação de uma legislação específica para tratar do tema, a criação de um grupo de trabalho para estudar a questão; o desenvolvimento de um programa de orientação com divulgação em larga escala na mídia; a instituição do “Dia Detox Brasil”; e o treinamento de profissionais da saúde, da educação e do direito para lidar com o problema. Ele alerta que não se sabe o tamanho do problema, já que não há estatísticas confiáveis no Brasil sobre o número de dependentes tecnológicos.
O deputado Aureo Ribeiro gostou da sugestão da criação de um grupo de trabalho na Comissão de Cultura e quer propor também uma frente parlamentar para tratar do tema. “Acho que a sugestão aqui no senhor Cristiano Nabuco é fundamental para a Câmara dos Deputados: estabelecer um grupo de trabalho para que a gente possa debater neste grupo de trabalho a legislação brasileira e como vamos enfrentar este grande problema, que não é só do Brasil, mas do mundo”, afirmou.
Reportagem – Lara Haje
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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