MATO GROSSO
Juiz mantém cassação de Edna Sampaio; vereadora diz que irá recorrer e tentar reeleição
MATO GROSSO
O juiz Flávio Miraglia Fernandes, da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Cuiabá, manteve válida a cassação do mandato da vereadora por Cuiabá, Edna Sampaio (PT), acusada de supostamente praticar “rachadinha” com verba indenizatória de sua ex-chefe de gabinete, Laura Abreu. A decisão foi proferida nesta quarta-feira (10).
Julier Sebastião, advogado de defesa da ex-vereadora, garantiu que recorrerá, visto que a decisão é de primeira instância e lembra ainda que existem processos judiciais em outros trâmites.
“É uma decisão ainda de primeira instância, contra a qual estamos recorrendo ao Tribunal de Justiça e, obviamente, não tem nada definitivo sobre isso. Além disso, há outros processos aguardando decisão de primeira e também de segunda instância”, disse o advogado Julier Sebastião.
Edna, por sua vez, afiança que poderá se candidatar à reeleição, inclusive reforça sua pré-candidatura, que vem com uma nova proposta: a “candidatura coletiva” denominada “Três Pretas”, com sua assessora de imprensa Neusa Baptista e a cantora Daiely Cristina.
“Seguimos firmes, indignadas sim, afinal, a justiça não foi feita. Porém, fortes para buscá-la onde ela estiver”, escreveu ela, em sua rede social. “Sou pré-candidata, sim. Vamos lutar até o fim para que a justiça seja feita”, afirmou a petista.
A vereadora defende que a Comissão Processante, formada pelos vereadores Sargento Vidal (MDB), Eduardo Magalhães (Republicanos) e Cezinha Nascimento (União Brasil), desrespeitou o rito previsto no Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara (Resolução 021/2009) e no Decreto-Lei nº 201/67 por não intimar oficialmente a defesa para todos os atos processuais e não responder aos questionamentos apresentados sobre as supostas irregularidades do processo.
No dia 6 de junho, Edna foi cassada pelos vereadores da Câmara Municipal de Cuiabá, que aprovou o relatório final da Comissão Processante, pedindo a cassação do mandato de Edna Sampaio, acusada de quebra de decoro pelo uso ilegal das Verbas Indenizatórias de sua ex-chefe de Gabinete, Laura Abreu, no ano de 2022, em esquema de “rachadinha”. Ela exigia que a mulher repassasse para contas bancárias em seu nome o valor mensal de R$ 5 mil, a títutlo de V.I., que era parte do provimento pessoal da chefe de gabinete.
Foram 19 votos pela cassação, cinco ausências – da própria Edna Sampaio, Dídimo Vovô (PSB), Marcrean Santos (MDB), Paulo Henrique (MDB) e Mário Nadaf (PV); e apenas um voto contra a cassação, do vereador Renivaldo Nascimento, que não quis justificar a escolha.
Edna Sampaio não apresentou nenhuma defesa dentro da comissão, como havia antecipado à imprensa. Conforme a vereadora, a comissão sequer entregou para seus advogados um relatório completo, informando sobre as acusações e quais ritos foram seguidos pelo grupo de investigação composto pelos vereadores: Sargento Vidal (MDB), Eduardo Magalhães (Republicanos) e Cezinha Nascimento (União Brasil).
Esta é a segunda cassação enfrentada por Edna em seu primeiro mandat. No ano passado, a Câmara instaurou um processo na Comissão de Ética da Casa para apurar as supostas práticas de “rachadinha” orquestrada em seu gabinete com verbas que seriam de direito da ex-chefe do gabinete, Laura Natasha, no valor de R$ 5 mil. Na época, a petista perdeu o mandato, mas foi reconduzida após liminar judicial.
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Vereador Alex Rodrigues defende criação de comissão permanente para enfrentar aumento da população em situação de rua em Cuiabá
O vereador Alex Rodrigues participou nesta quarta-feira (03), na Câmara Municipal de Cuiabá, de uma audiência pública destinada a discutir as causas do crescimento da população em situação de rua na capital e cobrar a elaboração de um plano de ação efetivo para enfrentar o problema.
O debate reuniu representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de integrantes do Ministério Público, Defensoria Pública e entidades da sociedade civil organizada. O objetivo foi promover uma ampla discussão sobre o tema e buscar alternativas para reduzir o número de pessoas vivendo nas ruas da cidade.
Durante a audiência, foram apresentados dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), que revelam um aumento expressivo da população em situação de rua em Cuiabá nos últimos anos.
Segundo o levantamento, em 2025 a capital contabilizou 1.783 pessoas vivendo nas ruas. O número representa um crescimento superior a 2.775% em comparação com 2013, quando apenas 62 pessoas estavam registradas nessa condição.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas envolvendo assistência social, saúde, segurança pública, qualificação profissional e reinserção social.
Alex Rodrigues propõe comissão permanente
Durante sua participação, o vereador Alex Rodrigues defendeu a criação de uma comissão permanente de enfrentamento à população em situação de rua, com a missão de reunir diferentes órgãos públicos e entidades para construir soluções práticas e duradouras.
Para o parlamentar, é necessário que o debate avance além das discussões institucionais e resulte em medidas efetivas que impactem diretamente a vida das pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Essa discussão não pode ficar apenas no plenário. Precisamos transformar o debate em resultados reais nas ruas de Cuiabá, oferecendo dignidade, oportunidades e atendimento adequado para quem mais precisa”, afirmou.
Curitiba é citada como exemplo
Alex Rodrigues também destacou experiências bem-sucedidas desenvolvidas em outras cidades brasileiras. Entre os exemplos mencionados está Curitiba, que vem apresentando resultados positivos por meio de políticas públicas avançadas e ações integradas entre diferentes órgãos governamentais.
Segundo o vereador, Cuiabá pode adaptar iniciativas que já demonstraram eficiência em outras regiões do país, fortalecendo o acolhimento social e ampliando as oportunidades de reinserção para pessoas em situação de rua.
Ao final da audiência, os participantes defenderam a continuidade do diálogo entre os poderes públicos e a sociedade civil para a construção de estratégias permanentes que contribuam para reduzir o problema e garantir mais dignidade à população vulnerável da capital.
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