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Favela de Vigário Geral terá estúdio para gravação de artistas locais
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A Favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio de Janeiro, será a primeira do mundo a ter um estúdio de gravação com tecnologia Dolby Atmos, para que artistas locais possam gravar suas produções gratuitamente. A informação foi dada à Agência Brasil por Ricardo Chantilly, diretor executivo do selo musical CrespoMusic, lançado recentemente pelo grupo cultural AfroReggae junto com a Chantilly Produções. “O nosso estúdio de ponta vai ser o primeiro e único estúdio com a tecnologia Dolby Atmos dentro de uma favela, no mundo. São equipamentos caríssimos, de primeira.”
O estúdio será inaugurado no dia 14 e, a partir daí, já começam a ser feitas gravações. “A princípio, as pessoas devem mandar o material para as nossas redes sociais e vamos priorizar jovens, moradores de favelas ou de periferias. É essa a prioridade que a gente vai ter. A gravação é completamente gratuita, bem como o lançamento”, explicou Ricardo Chantilly. A seleção dos materiais será feita pelo diretor artístico do CrespoMusic, Sany Pittbull.
Streaming
Depois de gravada a música, cria-se um fonograma que é lançado pelas plataformas de streaming (transmissão de conteúdos pela internet). A parceria com a gravadora Virgin Music Brasil e a editora Universal Music Publishing permite que haja as condições de registrar a composição.
Nosso objetivo é ser um celeiro de novos talentos da música que venham da favela e que não tenham oportunidade de gravar, porque é muito caro, [tem] toda uma estrutura. Agora, a gente vai ter um estúdio de ponta, a custo zero. A ideia da gravadora é essa: dar oportunidade para jovens da favela que não têm acesso a um estúdio de ponta para lançarem suas músicas”, destacou Ricardo Chantilly.
O novo estúdio funcionará no Centro Cultural Waly Salomão, em Vigário Geral, em um espaço com infraestrutura que permitirá receber diferentes públicos. O projeto conta com parceria também da União Brasileira dos Compositores (UBC), com a ideia de revelar e desenvolver novos talentos artísticos, transformando a vida de jovens das favelas do Rio.
O coordenador executivo do AfroReggae, William Reis, disse que as comunidades costumam ter muitos artistas que nem sempre são conhecidos. “Esperamos receber diversos cantores, sejam de rap, gospel, funk, trap, rock, MPB. O que importa é a possibilidade de oferecer um serviço de qualidade e com alta tecnologia para quem quer investir no que gosta de fazer ou no talento que possui”, ressaltou.
Miniestúdios
Como atua hoje em várias favelas do Rio de Janeiro, por meio do AfroGames, primeiro centro de formação de atletas de e-sports em favelas do mundo, a Chantilly Produções pretende, no segundo semestre deste ano, disponibilizar miniestúdios para as pessoas colocarem voz e construírem uma ideia da música que pretendem gravar posteriormente, no estúdio de Vigário Geral.
Os miniestúdios de batida, denominados beat, vão funcionar nos centros do AfroGames nas favelas Nova Holanda e Morro do Timbau, no Rio de Janeiro; e Morro do Estado, em Niterói, região metropolitana do Rio. “Ali, o garoto grava uma fita de demonstração [demo], a gente manda para o estúdio de Vigário Geral, onde é feita a seleção. A gente vai ter essa capilaridade em todos os nossos projetos, a partir do segundo semestre”, destacou Ricardo Chantilly.
O AfroGames foi criado em 2019 pelo Grupo Cultural AfroReggae, junto com a Chantilly Produções, com objetivo de capacitar e profissionalizar jovens para atuar e competir em esportes eletrônicos, promovendo a diversidade, a transformação social e a geração de renda.
O selo CrespoMusic, por sua vez, apresenta um catálogo com centenas de fonogramas originais compostos para trilhas dos seriados produzidos pelo AfroReggae Audiovisual, braço criador de conteúdo da organização cultural AfroReggae.
Fonte: EBC GERAL
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Prefeitura de SP constrói muro na Cracolândia para isolar área de usuários de drogas
A Prefeitura de São Paulo ergueu um muro na Cracolândia, localizada no Centro da cidade, com cerca de 40 metros de extensão e 2,5 metros de altura, delimitando a área onde usuários de drogas se concentram. A estrutura foi construída na Rua General Couto Magalhães, próxima à Estação da Luz, complementada por gradis que cercam o entorno, formando um perímetro delimitado na Rua dos Protestantes, que se estende até a Rua dos Gusmões.
Segundo a administração municipal, o objetivo é garantir mais segurança às equipes de saúde e assistência social, melhorar o trânsito de veículos na região e aprimorar o atendimento aos usuários. Dados da Prefeitura indicam que, entre janeiro e dezembro de 2024, houve uma redução média de 73,14% no número de pessoas na área.
Críticas e denúncias
No entanto, a medida enfrenta críticas. Roberta Costa, representante do coletivo Craco Resiste, classifica a iniciativa como uma tentativa de “esconder” a Cracolândia dos olhos da cidade, comparando o local a um “campo de concentração”. Ela aponta que o muro limita a mobilidade dos usuários e dificulta a atuação de movimentos sociais que tentam oferecer apoio.
“O muro não só encarcerou os usuários, mas também impediu iniciativas humanitárias. No Natal, por exemplo, fomos barrados ao tentar distribuir alimentos e arte”, afirma Roberta.
A ativista também denuncia a revista compulsória para entrada no espaço e relata o uso de spray de pimenta por agentes de segurança para manter as pessoas dentro do perímetro.
Impacto na cidade
Embora a concentração de pessoas na Cracolândia tenha diminuído, o número total de dependentes químicos não foi reduzido, como destaca Quirino Cordeiro, diretor do Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas. Ele afirma que, em outras regiões, como a Avenida Jornalista Roberto Marinho (Zona Sul) e a Rua Doutor Avelino Chaves (Zona Oeste), surgiram novas aglomerações.
Custos e processo de construção
O muro foi construído pela empresa Kagimasua Construções Ltda., contratada após processo licitatório em fevereiro de 2024. A obra teve custo total de R$ 95 mil, incluindo demolição de estruturas existentes, remoção de entulho e construção da nova estrutura. A Prefeitura argumenta que o contrato seguiu todas as normas legais.
Notas da Prefeitura
Em nota, a administração municipal justificou a construção do muro como substituição de um antigo tapume, visando à segurança de moradores, trabalhadores e transeuntes. Além disso, ressaltou os esforços para oferecer encaminhamentos e atendimentos sociais na área.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) reforçou que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) atua na área com patrulhamento preventivo e apoio às equipes de saúde e assistência, investigando denúncias de condutas inadequadas.
A questão da Cracolândia permanece um desafio histórico para São Paulo, com soluções que, muitas vezes, dividem opiniões entre autoridades, moradores e ativistas.
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