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Igreja no Centro do Rio tem alto risco de incêndio, alerta Iphan
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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) alertou, através de ofício datado do último dia 16, que a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, fundada em 1750, na Praça XV, antigo Largo do Paço, corre risco iminente de incêndio, além de estar à beira de um colapso estrutural.

O documento foi enviado à Defesa Civil do Estado, ao Corpo de Bombeiros do Rio e à própria Ordem Terceira do Carmo, proprietária do imóvel. O objetivo do ofício é solicitar imediatas vistorias dos órgãos competentes nas esferas estadual e municipal.
Problemas estruturais
Segundo o laudo de fiscalização e vistoria do Iphan, de outubro do ano passado, existem fissuras na fachada que cortam a igreja em um plano vertical paralelo à fachada, que deverão ter as causas investigadas.
“As fissuras estariam estabilizadas; porém, não constam documentos que atestem as causas, descrevam detalhadamente a extensão e características das fissuras e nem laudos que afirmem que elas estão de fato estabilizadas.”
Também foram detectadas pelo Iphan infiltrações, quadros de luz obsoletos, instalações elétricas improvisadas, falta de equipamentos de detecção e combate a incêndios, acervos em péssimas condições e indícios de infestação de cupins, bem como problemas generalizados de conservação no interior e exterior e trincas e rachaduras na fachada, que se encontra isolada por grades de ferro.
A fiscal Catherine Gallois, do Iphan, que assina os laudos, qualificou o estado do imóvel como “péssimo”.
As fissuras se estendem e ameaçam a vizinha Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, que foi totalmente reformada e pertence à Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Tombamento
De acordo com o Iphan, desde 2018 foram realizadas pelo menos três vistorias na igreja, que é patrimônio cultural arquitetônico e religioso. O laudo indica deterioração avançada com danos significativos na materialidade da igreja. A edificação está insalubre e não tem um projeto de prevenção e combate a incêndios aprovado pelo Corpo de Bombeiros.
Reconhecido pelo Iphan desde 1938 como patrimônio cultural, o conjunto arquitetônico da Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo é considerado um dos mais importantes monumentos religiosos da segunda metade do século XVIII, sendo a única igreja colonial que apresenta a frontaria totalmente revestida de pedra.
Ordem Terceira do Carmo
O secretário Geral da Ordem Terceira do Carmo, Armindo Diniz, relatou o envio de resposta referente ao ofício recebido pelo Iphan. Ele informou que a Ordem tem consciência da situação em que se encontra a igreja e que todas as providências possíveis e cabíveis estão sendo tomadas.
Diniz ressaltou ainda que o imóvel encontra-se fechado e com a energia cortada a pedido da Ordem, desde o final de 2019, “impossibilitando o risco de incêndio”.
De acordo com ele, imóveis pertencentes à Ordem foram colocados à venda e a arrecadação será totalmente voltada para o restauro da igreja. Porém, a venda ainda depende de uma autorização da Arquidiocese para ser formalizada.
Bombeiros e Defesa Civil
A Defesa Civil informou que recebeu o ofício do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre o risco de incêndio na Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, no Centro do Rio de Janeiro.
Segundo a nota, a corporação já notificou a edificação para ser regularizada junto ao Corpo de Bombeiros. O órgão reforça que, para isso, os representantes legais do local precisam dar continuidade ao processo de regularização, através da emissão do Laudo de Exigências e, posteriormente, do Certificado de Aprovação.
Os laudos, ofícios e relatórios fotográficos podem ser acessados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). O número do processo é 01500.002229/2022-24.
*Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara
Edição: Denise Griesinger
Fonte: EBC Geral
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Prefeitura de SP constrói muro na Cracolândia para isolar área de usuários de drogas
A Prefeitura de São Paulo ergueu um muro na Cracolândia, localizada no Centro da cidade, com cerca de 40 metros de extensão e 2,5 metros de altura, delimitando a área onde usuários de drogas se concentram. A estrutura foi construída na Rua General Couto Magalhães, próxima à Estação da Luz, complementada por gradis que cercam o entorno, formando um perímetro delimitado na Rua dos Protestantes, que se estende até a Rua dos Gusmões.
Segundo a administração municipal, o objetivo é garantir mais segurança às equipes de saúde e assistência social, melhorar o trânsito de veículos na região e aprimorar o atendimento aos usuários. Dados da Prefeitura indicam que, entre janeiro e dezembro de 2024, houve uma redução média de 73,14% no número de pessoas na área.
Críticas e denúncias
No entanto, a medida enfrenta críticas. Roberta Costa, representante do coletivo Craco Resiste, classifica a iniciativa como uma tentativa de “esconder” a Cracolândia dos olhos da cidade, comparando o local a um “campo de concentração”. Ela aponta que o muro limita a mobilidade dos usuários e dificulta a atuação de movimentos sociais que tentam oferecer apoio.
“O muro não só encarcerou os usuários, mas também impediu iniciativas humanitárias. No Natal, por exemplo, fomos barrados ao tentar distribuir alimentos e arte”, afirma Roberta.
A ativista também denuncia a revista compulsória para entrada no espaço e relata o uso de spray de pimenta por agentes de segurança para manter as pessoas dentro do perímetro.
Impacto na cidade
Embora a concentração de pessoas na Cracolândia tenha diminuído, o número total de dependentes químicos não foi reduzido, como destaca Quirino Cordeiro, diretor do Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas. Ele afirma que, em outras regiões, como a Avenida Jornalista Roberto Marinho (Zona Sul) e a Rua Doutor Avelino Chaves (Zona Oeste), surgiram novas aglomerações.
Custos e processo de construção
O muro foi construído pela empresa Kagimasua Construções Ltda., contratada após processo licitatório em fevereiro de 2024. A obra teve custo total de R$ 95 mil, incluindo demolição de estruturas existentes, remoção de entulho e construção da nova estrutura. A Prefeitura argumenta que o contrato seguiu todas as normas legais.
Notas da Prefeitura
Em nota, a administração municipal justificou a construção do muro como substituição de um antigo tapume, visando à segurança de moradores, trabalhadores e transeuntes. Além disso, ressaltou os esforços para oferecer encaminhamentos e atendimentos sociais na área.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) reforçou que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) atua na área com patrulhamento preventivo e apoio às equipes de saúde e assistência, investigando denúncias de condutas inadequadas.
A questão da Cracolândia permanece um desafio histórico para São Paulo, com soluções que, muitas vezes, dividem opiniões entre autoridades, moradores e ativistas.