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Kizomba é celebrada como experiência cultural em São Paulo
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A vivência da cultura da kizomba é a proposta do Kizomba Design Museum, entre os dias 6 e 8 de setembro na capital paulista. O ritmo, criado por imigrantes angolanos e caboverdianos em Portugal é a “maior expressão cultural da diáspora africana que se expressa em português”, nas palavras de um dos curadores do projeto, o músico e escritor Kalaf Epalanga.

“Nós queríamos recriar, de forma estilizada, claro, o que acontece nas nossas festas de quintal. As nossas festas de quintal, – que eu acho muito parecido com o samba – você tem a música, a galera que está em um canto discutindo futebol, em outro canto, discutindo política. Comida – sempre uma feijoada. E, claro, muita bebida também, muita cerveja. Essa é mais ou menos uma dinâmica de uma festa de quintal, muito parecida com a cultura brasileira também”, explica Epalanga sobre a ideia de reunir comida, música e discussões sobre linguagem, identidade e política.
O artista conta que a kizomba foi um ritmo não só fundamental para a construção do kuduro, movimento musical em que é um dos expoentes, com o Buraka Som Sistema, como também foi um refúgio aos trabalhadores africanos, que, como ele, vivem na Europa.
Refúgio
“Eu, jovem da diáspora em Lisboa, me reencontrei nesses lugares. Eram pequenos santuários, onde a gente ia não só matar saudade, mas também, de certa forma, ganhar de volta a nossa dignidade, enquanto seres pensantes que ocupam o espaço europeu, mas que por vicissitudes da vida estamos em um lugar da pirâmide social onde nos sentimos carne de canhão para o sistema capitalista. Estamos ali como operários de fato. E, às vezes, é negada a nossa subjetividade. Eu sempre senti que a kizomba devolvia a nossa subjetividade, o nosso sentido de pertencimento. Era a verdadeira cultura comunitária”, reflete.
Como uma cultura diaspórica, a kizomba tem influências e semelhanças com ritmos de diversas partes do mundo. Epalanga detalha que o ritmo surge a partir do semba, “que é um dos ritmos tradicionais em Angola, muito em voga nos anos 1950 e 1960”. Além de beber de movimentos musicais do Congo e do Caribe, especialmente do zouk das Antilhas. Assim como no ritmo caribenho, na kizomba os pares também dançam “agarradinhos”.
“É um lugar que você sente o calor humano da sua comunidade. E quando eu falo comunidade, não falo só de pessoas negras ou racializadas, é o sentido mesmo dessa massa periférica que está na camada mais baixa da pirâmide social que tem na kizomba a fonte da alegria extrema e absoluta”, define Epalanga.
Encontro de povos
Sobre o nascimento dessa cultura, o artista aponta como fundador o encontro de dois povos africanos em Portugal. “Quando um grupo de jovens angolanos, notadamente Eduardo Paim e Ruca Van-Dunem, se mudam para Lisboa, levando esses ritmos, essas músicas, essa inspiração, quando chegam em Lisboa, encontrando a comunidade caboverdiana que estava muito presente, aí passa surgimento da kizomba de fato”, diz o escritor, que em seu livro, Também os Brancos Sabem Dançar, reconstrói as origens do kuduro. Outro ritmo diaspórico que ganhou repercussão mundial. Como influências determinantes para esse surgimento, Epalanga destaca não só a própria kizomba, como ritmos tradicionais portugueses e a música eletrônica.
Apesar da importância social, o artista acredita que falta reflexão estruturada sobre a cultura da kizomba. “Queremos, acima de tudo, criar memória. Aí, essa proposta de usar o termo museu e não só festival da kizomba. O termo museu está colocado ali estrategicamente. Nós queremos produzir pensamento a partir da memória da kizomba”, explica.
Comida, estilo e música
O Design Museum, que conta também com a curadoria do multiartista Nástio Mosquito, acontece no Copan, edifício icônico do centro paulistano. A programação passa pela Galeria Pivô, pela Livraria Megafauna e pelo Cuia Café.
As atrações começam com um matabicho – café da manhã angolano – servido pela chef Bel Coelho. O espaço da galeria vai receber ainda um mercado de beleza e estilo. Além dos debates, acontecem oficinas para quem quiser aprender alguns passos de kizomba.
A programação completa pode ser vista na página www.kizombadesignmuseum.com
Fonte: EBC GERAL
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Prefeitura de SP constrói muro na Cracolândia para isolar área de usuários de drogas
A Prefeitura de São Paulo ergueu um muro na Cracolândia, localizada no Centro da cidade, com cerca de 40 metros de extensão e 2,5 metros de altura, delimitando a área onde usuários de drogas se concentram. A estrutura foi construída na Rua General Couto Magalhães, próxima à Estação da Luz, complementada por gradis que cercam o entorno, formando um perímetro delimitado na Rua dos Protestantes, que se estende até a Rua dos Gusmões.
Segundo a administração municipal, o objetivo é garantir mais segurança às equipes de saúde e assistência social, melhorar o trânsito de veículos na região e aprimorar o atendimento aos usuários. Dados da Prefeitura indicam que, entre janeiro e dezembro de 2024, houve uma redução média de 73,14% no número de pessoas na área.
Críticas e denúncias
No entanto, a medida enfrenta críticas. Roberta Costa, representante do coletivo Craco Resiste, classifica a iniciativa como uma tentativa de “esconder” a Cracolândia dos olhos da cidade, comparando o local a um “campo de concentração”. Ela aponta que o muro limita a mobilidade dos usuários e dificulta a atuação de movimentos sociais que tentam oferecer apoio.
“O muro não só encarcerou os usuários, mas também impediu iniciativas humanitárias. No Natal, por exemplo, fomos barrados ao tentar distribuir alimentos e arte”, afirma Roberta.
A ativista também denuncia a revista compulsória para entrada no espaço e relata o uso de spray de pimenta por agentes de segurança para manter as pessoas dentro do perímetro.
Impacto na cidade
Embora a concentração de pessoas na Cracolândia tenha diminuído, o número total de dependentes químicos não foi reduzido, como destaca Quirino Cordeiro, diretor do Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas. Ele afirma que, em outras regiões, como a Avenida Jornalista Roberto Marinho (Zona Sul) e a Rua Doutor Avelino Chaves (Zona Oeste), surgiram novas aglomerações.
Custos e processo de construção
O muro foi construído pela empresa Kagimasua Construções Ltda., contratada após processo licitatório em fevereiro de 2024. A obra teve custo total de R$ 95 mil, incluindo demolição de estruturas existentes, remoção de entulho e construção da nova estrutura. A Prefeitura argumenta que o contrato seguiu todas as normas legais.
Notas da Prefeitura
Em nota, a administração municipal justificou a construção do muro como substituição de um antigo tapume, visando à segurança de moradores, trabalhadores e transeuntes. Além disso, ressaltou os esforços para oferecer encaminhamentos e atendimentos sociais na área.
A Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU) reforçou que a Guarda Civil Metropolitana (GCM) atua na área com patrulhamento preventivo e apoio às equipes de saúde e assistência, investigando denúncias de condutas inadequadas.
A questão da Cracolândia permanece um desafio histórico para São Paulo, com soluções que, muitas vezes, dividem opiniões entre autoridades, moradores e ativistas.
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