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PM não é “pedreiro fardado”!

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Recentemente, em um lampejo de inspiração corporativista (ou seria elitismo institucional?), o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, senhor Gláucio Castañon, resolveu iluminar os leitores com sua opinião contrária à proposta de isonomia salarial entre policiais militares e civis. Até aí, tudo bem — cada um defende seu quinhão. O problema é que, na ânsia de subir no salto alto funcional, o autor tropeçou feio na escada do respeito e da coerência.

Com uma elegância digna de quem se acha o Steve Jobs da segurança pública, Castañon resolveu comparar os policiais militares — soldados, cabos e sargentos — a pedreiros, eletricistas e ajudantes de obra. Já os civis, claro, seriam os engenheiros e arquitetos da coisa toda. Uma analogia, no mínimo, criativa. Se criatividade contasse como qualificação jurídica, esse artigo já teria garantido ao autor uma vaga vitalícia no STF.

O problema não está só na ofensa disfarçada de metáfora — que, aliás, só não é mais velha que a própria desigualdade funcional entre as corporações — mas também na desinformação que ela carrega. A comparação é não só desrespeitosa como completamente alheia à realidade.

Afinal, são os tais “pedreiros fardados” que estão presentes em mais de 90% das ocorrências, que chegam primeiro e, quase sempre, são os únicos a chegar. Mas, quem se importa com isso quando se está tão ocupado desenhando plantas da vaidade institucional?

Constituição? Nunca nem vi!

A Constituição Federal, não é uma “bobagem” de 1988 e é preciso levar a sério. Ela diz no artigo 144 que a Polícia Civil e a Militar são ambas órgãos da segurança pública, com funções complementares e essenciais. Mas vai explicar isso para quem acredita que o distintivo civil vem com uma toga embutida.

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Ambas as corporações exigem nível superior, enfrentam riscos diários, ingressam por concurso público, respondem por ações legais e técnicas, e são fundamentais à ordem pública. Mas, para alguns, tudo isso é irrelevante. O que importa mesmo é a narrativa onde o militar é só o operário suado que carrega tijolo, enquanto o civil é a cabeça pensante que toma cafezinho na obra e aprova o projeto.

E vamos falar de formação? Os soldados entram com diploma de nível superior e saem como tecnólogos em Segurança Pública. Os oficiais, são bacharéis em Direito e ainda ganham mais uma formação em Ciências Policiais. Não bastasse isso, exercem funções jurídicas, lavram flagrantes, relatam termos, conduzem sindicâncias, fazem inteligência e atuam em áreas de risco onde, coincidentemente, o “engenheiro” raramente põe os pés.

Mas nada disso parece importar. Porque, no fundo, o problema não é técnico — é estético. Tem gente que ainda acredita que o prestígio de uma função depende do quão longe ela está da poeira da rua.

A proposta de isonomia salarial não quer forçar ninguém a dividir o cafezinho — só quer corrigir um abismo salarial indecente entre profissões que, goste-se ou não, são irmãs siamesas na missão de manter a sociedade em pé.

Mas para isso, teríamos que aceitar que o policial militar — aquele que troca tiro em favela, que trabalha fim de semana, que vive sob regras militares, sem direito à greve, com plantões absurdos — talvez mereça o mesmo respeito (e salário) que o investigador que vai ao local do crime depois que tudo já foi para o espaço.

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Privilégios e penduricalhos: só para quem pode

Enquanto a Polícia Civil esbanja mais de 400 cargos comissionados, gratificações especiais, adicionais noturnos, insalubridade, disponibilidade e o que mais o dicionário permitir, a Polícia Militar trabalha com dois cargos de gestão e zero adicionais. Mas é claro, como bons “operários”, devem aceitar tudo com a humildade esperada de quem “não fez o projeto da obra”.

Enquanto isso, militares fazem 50 horas extras por mês, com pagamento que ofende até o mais resignado dos sargentos. Mas tudo bem, alguém precisa sustentar o luxo institucional alheio.

O policial militar não quer um trono — só quer parar de ser tratado como escada. Defender sua própria carreira não deveria ser sinônimo de atacar a dos outros. Se há algo urgente na segurança pública, não é reforçar muros de vaidades, mas construir pontes de reconhecimentos.

Porque o verdadeiro engenheiro da paz não é o que projeta o edifício do ego. É o que, fardado, suado, de plantão e com a arma na cintura, segura as rachaduras de um país que insiste em desprezar quem o sustenta.
Não é desmérito ser comparado ao pedreiro, operário que é essencial ao crescimento de uma sociedade, e sim uma honra pois com suor e dedicação torna se um elemento chave no desenvolvimento de um país, função vital. Não diferente de um policial militar que com seu trabalho árduo leva sensação de segurança a todos impulsionando o crescimento melhorando e contribuindo para o bem-estar da população.

Sargento PM Laudicério Machado é presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiro de Mato Grosso e Presidente do Conselho Fiscal da Federação Nacional de Praças

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Cuiabá em expansão e o aquecimento do mercado imobiliário

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Por Henrique Gavioli

Cuiabá vive um momento de transformação e crescimento que promete moldar a cidade nos próximos anos. O mercado imobiliário da capital mato-grossense segue aquecido. Esse movimento é acompanhado por uma mudança no perfil de quem busca imóveis. Cada vez mais, compradores priorizam segurança, qualidade de vida, áreas verdes e espaços de convivência, fatores que impulsionam a expansão.

Segundo dados do Sindicato da Habitação de Mato Grosso (Secovi-MT), apenas nos três primeiros trimestres de 2025, mais de 10 mil unidades foram comercializadas, movimentando aproximadamente R$ 4,21 bilhões. O cenário mostra uma cidade em expansão e cheia de oportunidades.

A valorização dos bairros reflete essa evolução. Novos empreendimentos surgem em regiões estratégicas, trazendo infraestrutura planejada, segurança e opções de lazer. É o caso do Essence Bella Vita, na Avenida das Torres, que reúne 537 lotes, entre 180 m² e 334 m², e combina conforto, integração com a natureza e espaços de convivência. Projetos como esse mostram como a expansão urbana pode gerar bairros mais completos, bem estruturados e atrativos.

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O conceito de condomínio clube evidencia uma tendência crescente: unir qualidade de vida, bem-estar e valorização imobiliária. Além de oferecer ambientes planejados para morar, esse tipo de empreendimento também desperta interesse de investidores, consolidando Cuiabá como um polo dinâmico e promissor no setor.

Apesar dos transtornos causados pelas obras do BRT e outras intervenções de infraestrutura, que provocaram ajustes no trânsito e impactos temporários em algumas regiões, a perspectiva para quem deseja investir ou adquirir um imóvel na cidade permanece otimista. A infraestrutura em desenvolvimento tende a valorizar ainda mais os bairros e regiões próximas, tornando o momento interessante para quem busca aproveitar o crescimento urbano de Cuiabá.

O crescimento da cidade abre novas oportunidades para moradores e investidores, transformando bairros e valorizando regiões estratégicas.

Outro fator que favorece esse tipo de projeto é o clima de Cuiabá, que estimula o uso de áreas abertas, espaços de lazer e convivência ao ar livre durante grande parte do ano. Esse diferencial contribui para a valorização de empreendimentos que apostam em integração com a natureza e infraestrutura completa.

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Para 2026, a expectativa é de que o mercado imobiliário cuiabano mantenha o ritmo de crescimento, com destaque para loteamentos planejados e condomínios fechados em áreas estratégicas. Com indicadores positivos e novos projetos em desenvolvimento, Cuiabá se posiciona como uma cidade cada vez mais atrativa tanto para quem deseja morar quanto para quem busca investir com visão de longo prazo.

Henrique Gavioli é diretor de marketing da incorporadora Essence Urbanismo

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