MATO GROSSO
Beto acredita que Fabio estará ao lado de Botelho por “objetivo comum” para Cuiabá
MATO GROSSO
O deputado estadual Beto Dois a Um (PSB) manifestou em entrevista à imprensa nesta quarta-feira (21.02) sobre a escolha do União Brasil de Mato Grosso pela pré-candidatura do deputado estadual Eduardo Botelho, na disputa pela Prefeitura de Cuiabá.
Beto defendia a pré-candidatura do chefe da Casa Civil, deputado federal licenciado Fábio Garcia (União), substituído pelo governador Mauro Mendes (União), atual presidente da sigla, na corrida eleitoral ao Palácio Alencastro.
“Deixei muito claro que a minha prioridade não era o nome, a minha prioridade era uma opção de gestão diferente da atual. E é nítido que tanto com Fábio quanto com Botelho teremos uma mudança radical e completa. Sempre deixei claro que eu iria com o candidato do governador e a decisão do governador Mauro Mendes de seguir com o Eduardo Botelho também será a minha”, destacou.
Em relação ao chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, Beto confia no apoio do deputado federal licenciado ao pré-candidato do União Brasil. “Ele é um democrata, ele sabe que é assim que funciona a política. Eu não tenho dúvida de que o Fábio estará lado a lado com o Botelho, lado a lado com o governador, porque temos um objetivo em comum: que é mudar Cuiabá.”
Questionado sobre o PSB lançar um vice na chapa do pré-candidato do União Brasil, Beto afirmou que oficialmente o assunto ainda não foi tratado. Entre os nomes cotados, destacam-se o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, ex-deputado Allan Kardec (PSB), e a médica Natasha Slhessarenko (PSB).
“Isso ainda não foi discutido por nós, mas o Allan é um cara preparadíssimo, já foi vereador por Cuiabá, já foi deputado, secretário de Estado em várias oportunidades, seria um grande nome. O Allan tem meu carinho, meu respeito, mas isso ainda não foi tratado oficialmente.”
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.