MATO GROSSO
Cardiopatia de Virginia afeta uma a cada 800 pessoas e é mais comum em mulheres
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O cardiologista Juliano Slhessarenko alerta que, muitas vezes, casos de comunicação interatrial, quando os átrios direito e esquerdo do coração se conectam através de uma “abertura” na parede do coração, passam desapercebidos pelas pessoas e muitos vivem normalmente sem saber do diagnóstico que pode acarretar em insuficiência cardíaca.
“Afeta um em cada 800 nascidos, em média. Atingindo mais mulheres. É uma comunicação entre os átrios do coração que não deveria existir. Ela nasce com isso, no início não tem sintomas, evolui lentamente, ao longo do tempo a pessoa pode sentir cansaço, palpitação, arritmia cardíaca e sopro”.
É o caso da primeira-dama Virginia Mendes, que descobriu o diagnóstico de comunicação interatrial apenas na fase adulta, durante um exame de rotina nessa terça-feira (7), no Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP). Com a confirmação da cardiopatia congênita, Virginia precisará passar por um procedimento para correção.
Ao Olhar Direto, Slhessarenko explica que, apesar da cardiopatia congênita permanecer “silenciosa”, manifestando sintomas apenas na fase adulta, por exemplo, a má formação acontece ainda durante a gestação, na fase embrionária. Por conta disso, é de extrema importância a realização de check ups cardiológicos.
“Pode ser detectado antes, mas o que acontece é que, as vezes, a pessoa não foi no cardiologista ou não foi feita um ultrassom do coração antes. Mas, com certeza o ‘buraquinho’ já estava lá. Pode ter manifestado sintomas só agora ou o médico viu só agora, mas já estava lá”.
Juliano atua como cardiologista intervencionista e tem experiência no procedimento de fechamento da abertura que une os átrios do coração. Ele explicou que a intervenção é simples e requer repouso de, geralmente, dois dias. Depois da recuperação, o paciente terá vida normal.
“Feita uma intervenção, faz o fechamento desse orifício através de uma prótese. Bloqueando a passagem entre os atrios e a passagem de sangue para os dois lados do coração, evitando que eles se misturem. É como se fosse um cateterismo, feito com o paciente sedado. É relativamente simples hoje em dia, porque temos vários materiais que facilitam”.
Check up antes de gravidez ou matrícula em academias
O cardiologista destaca a necessidade de check up, com ultrassom do coração, para mulheres que desejam engravidar ou qualquer pessoa que pretendem começar a praticar exercícios físicos. No primeiro caso, Slhessarenko explica que a gestação em mulheres com comunicação interatrial pode sobrecarregar ainda mais o coração.
OLHAR CONCEITO
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.