MATO GROSSO
Colega detona Abílio: “Marmanjo que se comporta feito moleque”
MATO GROSSO
O deputado federal Abílio Brunini (PL) voltou a tumultuar a sessão Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) de 8 de janeiro, que ocorreu na tarde de terça-feira (1º). Na ocasião, prestava depoimento o ex-chefe do GSI Saulo da Cunha.
Durante a fala do colega Duarte Jr (PSB-MA), que estava sendo interrogado por Saulo, Abílio fez diversos gestos com a mão e chegou a mudar de lugar para provoca-lo. Por vezes, ele apontava diretamente para a cabeça de Duarte.
“Um marmanjo eleito por força do voto popular vem aqui e se comporta feito um moleque, isso não é postura de um parlamentar. Por atitudes como essa que a política tem perdido a credibilidade”, disse Duarte Jr.
O deputado chegou a pedir que Abílio fosse expulso da sala. Embora o presidente da comissão tenha negado o pedido, ele também repreendeu o mato-grossense ao ver os gestos.
“Vossa excelência reiteradamente está fazendo um papel aqui que não é condizente com o papel de um parlamentar e está envergonhando esta CPMI. O senhor está me obrigando a tomar uma atitude extrema. Não vai continuar essa palhaçada na CPI”, avisou.
“Eu vou exigir que vossa excelência se comporte. Não vai continuar essa palhaçada aqui na CPI”, exigiu.
Tumultos frequentes
Essa não é a primeira vez que o presidente da comissão repreende Abílio. No fim do mês passado, Arthur Maia ameaçou encaminhar o nome do mato-grossense ao Conselho de Ética devido às constantes interrupções sobre o discurso dos demais deputados.
Outra polêmica de Abílio envolveu a deputada federal Érika Hilton (PSOL/SP), que o acusou de transfobia na CPMI e que pediria a cassação do mandato dele.
Veja o vídeo:
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.