MATO GROSSO
Desenvolve MT expande programas de crédito no interior de Mato Grosso
MATO GROSSO
Dezoito colaboradores de prefeituras do interior do Estado e de Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) participaram do primeiro treinamento online realizado, nesta sexta-feira (04.02), pela Agência de Fomento de Mato Grosso – Desenvolve MT. A parceria é fruto do termo de cooperação entre prefeituras, entidades e a agência.
O treinamento faz parte da estratégia de expansão da rede de agentes de crédito e correspondentes para levar as linhas de crédito aos empresários de Mato Grosso com atendimento presencial em todo o Estado.
Em 2021, os municípios do interior atingiram um índice alto de recursos repassados aos empreendedores, cerca de R$ 8 milhões em crédito foram concedidos. Atualmente, são 38 municípios parceiros que possuem agentes de crédito habilitados e 15 entidades de classe que prestam apoio e atendimento aos empreendedores nos municípios, para facilitar o acesso ao crédito.
Os agentes de crédito e correspondentes capacitados são parceiros da Desenvolve MT e irão atuar nas respectivas entidades, na oferta de crédito e apoio aos associados e empresas que atuam nos segmentos representados da indústria, do comércio e setor de serviços.
“A parceria é uma forma de ficar mais próximo dos municípios, esperamos que os agentes tragam as demandas e que possamos atender cada vez mais os empreendedores do interior”, pontua Jaqueline Cozovenco, gerente de investimento e projetos da Desenvolve MT.
Capacitação
O treinamento ministrado pela agente de fomento Júlio Pereira teve duração de uma hora e meia, por meio de plataforma on-line. Durante a aula, os participantes conheceram as linhas de crédito, em especial o novo programa Jovem e Mulher Empreendedor, sobre todo o processo de preenchimento de cadastro e documentos, além de terem tirado dúvidas.
Tiveram contato com o sistema da plataforma on-line, espaço onde é solicitado o crédito e inseridos os documentos do empreendedor para análise. Essa plataforma é um produto que foi desenvolvido para trazer agilidade no processo de contratação do crédito, permitindo que todos os municípios mato-grossenses possam ter acesso sem precisa se deslocar.
Cada correspondente é treinando para dar suporte em todo o processo de solicitação de crédito facilitando assim o encaminhamento das propostas de crédito para a Desenvolve MT.
Para Leonardo Kozak, agente de crédito de Sorriso, os encontros são importantes para troca de informações, aproximação com os agentes, estabelecendo assim um canal de apoio com o empreendedor de cada cidade.
“O empreendedor precisa entender que o investimento tem que ser muito bem pensando para não virar o um problema, o crédito é a última etapa do negócio”, alertou.
Participaram do treinamento as prefeituras e os CDLs de Nortelândia, Pontes e Lacerda, Guarantã do Norte, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Campo Verde, Guarantã do Norte, Alto Paraguai, Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis, Alta Floresta, Juscimeira, Cáceres e Vila Rica
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.