MATO GROSSO
Família pedirá indenização ao Estado por morte de estudante
MATO GROSSO
A família do estudante cuiabano Daniel Hiarle Arruda de Oliveira, de 14 anos, que se afogou em uma excursão escolar em dezembro de 2021, entrará com uma ação indenizatória contra o Estado na próxima terça-feira (7).
Daniel era aluno da Escola Estadual Professor Welcio Mesquita de Oliveira, localizada no Bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá. Ele foi encontrado morto em uma das quedas d’água do Circuito das Cachoeiras, no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.
Segundo a advogada Nanda Luz Quadros, que representa os pais da vítima, “há responsabilidade civil da escola, pois competia a ela e aos professores cuidarem da segurança da vítima, o que não ocorreu”.
Houve negligência e imprudência, o que contribuiu para que Daniel morresse precocemente aos 14 anos de idade”, explicou a especialista.
O valor da indenização ficará, conforme Nanda Luz, a critério do magistrado. “O dano é imensurável”, disse ela.
Confissões e acordos
A audiência na ação criminal do caso foi realizada nesta sexta-feira (3). Na esfera criminal, o Ministério Público Estadual denunciou os professores Joelma Adriana, Bianca Rodrigues, João Augusto e Antônio Washington Pereira por homicídio culposo.
Três deles realizaram acordo de não persecução penal. Apenas Antônio se recusou a assumir qualquer tipo de responsabilidade no acidente e, em seu caso, a ação penal segue normalmente.
No acordo de não persecução penal, o investigado confessa o delito e se compromete a uma reparação pelo dano causado. Em troca, o MPE não inicia a ação penal e a pessoa segue sem antecendes criminais.
“O acordo não trará o sentimento de Justiça aos pais que choram até hoje pela morte precoce de Daniel. Contudo, entendemos que é uma garantia legal prevista no ordenamento da qual o réu pode se beneficiar. Iremos acompanhar o cumprimento integral do acordo homologado”, afirmou.
Segundo a advogada, para os docentes que confessaram o crime, o caso segue para a Vara de Execução Penal, para que eles comecem a cumprir o acordo.
“Provavelmente vai durar um ou dois anos, envolvendo prestação de valores para alguma comunidade indicada pelo Juiz, prestação na comunidade, proibição de frequentar bares e prostíbulos, proibição de se ausentar da comarca e comparecimento pessoal”, explicou.
MATO GROSSO
“Tumores cerebrais estão entre as principais causas de óbitos em crianças”, reforça especialista
O mês de maio é marcado pela campanha Maio Cinza, dedicada à conscientização sobre os tumores cerebrais, uma condição grave que exige atenção, informação e acesso rápido ao diagnóstico e tratamento adequado. A iniciativa busca alertar a população sobre sinais e sintomas, além de reforçar a importância da detecção precoce para aumentar as chances de controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 11.400 novos casos anuais de câncer cerebral e do sistema nervoso no Brasil. Em Mato Grosso, a taxa projetada fica em torno de 140 casos. De acordo com o médico cancerologista pediátrico e coordenador científico do projeto de Diagnóstico Precoce da Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT), Dr. Wolney Taques (CRM-MT 3592, Cancerologia Pediátrica-RQE-48), os tumores cerebrais estão entre as condições neurológicas mais complexas e desafiadoras da medicina e as que mais causam óbitos.
“Sabemos que esses tumores podem acometer pessoas de qualquer idade. No entanto, em crianças, eles estão entre as principais causas de mortalidade, juntamente com casos de leucemia e linfoma. Trata-se de um tipo de câncer bastante agressivo, que pode deixar sequelas”, explicou o médico.
Embora não sejam necessariamente a forma mais comum de câncer, eles estão associados à alta gravidade clínica, especialmente devido ao impacto que podem causar em funções vitais do sistema nervoso central. Em muitos casos, o diagnóstico tardio contribui para a piora do prognóstico, o que torna a conscientização ainda mais essencial.
Entre os principais sintomas que merecem atenção estão dores de cabeça persistentes e progressivas, alterações visuais, convulsões, mudanças de comportamento, dificuldades motoras e problemas de fala ou memória. A presença desses sinais não significa necessariamente a existência de um tumor, mas indica a necessidade de avaliação médica especializada.
O diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética são fundamentais para identificar alterações no cérebro e permitir a definição da conduta terapêutica mais adequada, que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do caso.
“É fundamental destacar que crianças que apresentem sintomas devem ser avaliadas por um médico pediatra. Caso haja suspeita de tumor cerebral, o encaminhamento imediato para um especialista em oncologia pediátrica é essencial, pois aumenta as chances de cura e reduz o risco de sequelas. Tanto o pediatra quanto o especialista em oncologia pediátrica podem solicitar exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que são decisivos para confirmar o diagnóstico”, concluiu.
Ao longo desses 27 anos, a AACCMT já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos. Entre eles alguns casos de tumores cerebrais.
“Nosso objetivo é oferecer todo o apoio necessário para que crianças e adolescentes possam realizar o tratamento adequado e receber acompanhamento psicológico, com a participação da família, sem comprometer a rotina escolar por estarem afastados de casa”, pontuou o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
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