MATO GROSSO
Governo inaugura nova sede do Laboratório Central de Saúde que é referência em MT
MATO GROSSO
A Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) inaugurou, nesta quinta-feira (31.03), a nova sede provisória do Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT) e da Superintendência de Vigilância em Saúde. O prédio, localizado na Rua Santiago, bairro Jardim das Américas, em Cuiabá, permitirá o perfeito funcionamento dos serviços do órgão estadual enquanto a estrutura definitiva segue em reforma e construção.
“Estamos fazendo uma entrega simbólica de um local temporário, que vai ser necessário por cerca de dois anos. A unidade definitiva, que já está em construção ao lado do Hospital Central, vai ser o maior e mais moderno laboratório público do país”, declarou o então secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
Os serviços do Lacen funcionavam em anexo ao Centro Estadual de Referência de Média e Alta Complexidades (Cermac), no Centro da capital, na Rua Travessa Thogo da Silva Pereira, nº 63. Já a sede definitiva do laboratório está sendo construída em anexo ao Hospital Central do Estado, localizado no Centro Político Administrativo. A obra conta com um investimento aproximado de R$ 11,8 milhões e deverá ser concluída em 2023. O local contará com uma estrutura de cerca de 2.500 m² completamente nova.
Para a diretora do Lacen, Elaine Cristina de Oliveira, essa mudança é um marco na história do laboratório, que avança mais uma etapa em direção à sede própria da unidade. “Estamos desde 1975 sendo referência em análises de vigilância em saúde no Estado de Mato Grosso. Nessa gestão, estamos recebendo a atenção necessária para as melhorias dos serviços, pois nossa missão é realizar ações laboratoriais com qualidade e confiabilidade”, diz Elaine.
Em novembro de 2021, o Laboratório celebrou 46 anos de serviços ofertados aos 141 municípios de Mato Grosso. Recentemente, a unidade especializada se tornou, ao lado de outros laboratórios públicos do Brasil, referência no sequenciamento genético para identificação de variantes do Coronavírus. Antes, as amostras de Mato Grosso eram encaminhadas para o Instituto Adolfo Lutz realizar o sequenciamento genético.
Desde o início da pandemia pela Covid-19, iniciado em março de 2020, o laboratório já realizou 411.535 testes. Durante esse período, o laboratório passou de cerca de 60 análises de exames laboratoriais por mês para mais de 5 mil exames por dia, com laudo e parecer técnico dos resultados para a unidade de Vigilância em Saúde. O Lacen ainda atende aos municípios do Estado via Sistema Único de Saúde (SUS) com oferta de exames de patologia clínica, sorologia, virologia, entre outros.
Superintendência
A equipe da Superintendência de Vigilância em Saúde desenvolvia suas atividades no segundo andar do prédio central da SES, mas devido à reforma da central, que deve ser retomada nas próximas semanas, foi necessária a mudança para que a obra avance na sede da pasta.
“Tem cinco anos que estamos buscando um lugar que oferecesse melhores condições de trabalho para a equipe da superintendência de Vigilância em Saúde. Esse novo local oferece conforto, agora dá para completar a equipe que estava um pouco defasada, pois tínhamos áreas descobertas. Essa é uma oportunidade de melhorarmos a condição de trabalho às equipes e, consequentemente, os produtos que podem ser entregues”, avaliou o secretário adjunto de Atenção e Vigilância em Saúde, Juliano Melo.
O prédio da nova sede definitiva da Superintendência, localizado na Rua Adauto Botelho, no bairro Coxipó, está em reforma. Foram investidos R$ 4,5 milhões no local. A previsão é de que a obra seja finalizada em 2023. Enquanto a obra ocorre, os profissionais da área desenvolverão suas atividades no prédio provisório.
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.