MATO GROSSO
Pedido para retirar honraria concedida a Cattani já tem 15 assinaturas
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Quinze vereadores já assinaram o projeto de decreto pedindo a retirada do Título de Cidadão Cuiabano concedido anteriormente ao deputado estadual, Gilberto Cattani (PL), após comparado feita por ele entre mulheres grávidas e vacas prenhas, em um discurso na Frente Parlamentar Contra o Aborto. Dentre os apoiadores, estão as três vereadoras por Cuiabá, Michelly Alencar (União Brasil), Maysa Leão (Republicanos) e Edna Sampaio (PT).
O pedido foi apresentado pelo vereador Luis Cláudio (PSDB). O número mínimo para retirada do título é de 2/3 da Casa, ou seja, 17 vereadores. Conforme a argumentação do tucano, Cattani atuou de maneira misógina e preconceituosa, sendo necessário que o Parlamento tome um posição diante das falas descabidas.
“O comportamento do Parlamentar, bem como sua fala é eivada de misoginia e preconceito, o que causa revolta e indignação. Assim sendo, como forma de posicionamento, esta casa de Leis deve revogar o Decreto que concedeu o Título de Cidadão Cuiabano ao senhor Gilberto Moacir Cattani, uma vez que suas atitudes são incompatíveis com o mínimo de idoneidade moral”, diz trecho da justificativa.
Assinam o documento também os vereadores Rogério Varanda e Sargento Vidal, ambos do MDB; Luiz Fernando (Republicanos); Dilemário Alencar (Podemos); Marcus Brito e Mário Nadaf, do PV; Adevair Cabral (PTB); Sargento Joelson (PSB); Demilson Nogueira (PP); Fellipe Corrêa (Cidadania) e Pastor Jeferson (PSD, além do próprio proponente, Luis Claudio (PSDB).
Investigação na AL
Em razão da polêmica, Cattani se tornou alvo da Comissão de Ética da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) por suposta quebra de decoro parlamentar, após pedido da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT).
RD NEWS
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.