MATO GROSSO
Secretaria de Saúde vai delimitar espaço para atendimentos particulares no antigo Hospital São Luiz
MATO GROSSO
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) delimitará espaço físico exclusivo para o funcionamento dos atendimentos particulares, no antigo Hospital São Luiz, que agora funciona como um anexo do Hospital Regional de Cáceres. A ação decorre em cumprimento de decisão da 4ª Vara Cível de Cáceres, nesta semana.
O serviço público, ofertado por meio do Hospital Regional, continuará funcionando e atendendo aos usuários do SUS de toda a região.
“É importante esclarecer que o Estado não atenderá as demandas particulares e os serviços privados não serão mantidos com recurso público. O plano de saúde será 100% responsável pelos atendimentos particulares que funcionarão no prédio”, explicou a secretária de Estado de Saúde, Kelluby de Oliveira.
A ação deverá vigorar por pelo menos seis meses, conforme decisão judicial, e a SES fará o possível para cumpri-la, tendo em vista que a resolução da situação do plano de saúde em Cáceres também é um anseio do Governo. A liminar judicial ainda determina que a Unimed indique um administrador para a nova área e um planejamento quanto à logística de atendimento das demandas particulares.
A secretária reforçou ainda que o Governo de Mato Grosso se preocupa com a resolução do problema desde que tomou ciência da situação dos serviços prestados via plano de saúde no antigo Hospital São Luiz.
“A liminar determina que a gestão estadual estabeleça a divisão do espaço físico para que os atendimentos públicos e privados funcionem de forma independente. A SES fará tudo para cumprir essa determinação. O governador Mauro Mendes não mediu esforços para convergir os interesses dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e daqueles que fazem uso do plano de saúde em Cáceres. Torcemos para que todos os entes cooperem e que os serviços sejam devidamente prestados à população”, explicou Kelluby.
A gestora ainda esclareceu que a SES encaminhará à Justiça, nesta quinta-feira (28.04), informações detalhadas quanto à divisão do espaço físico do hospital. Contudo, é necessário que o plano de saúde também cumpra a sua parte da decisão judicial.
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.