MATO GROSSO
Sérgio critica proposta de VLT de Emanuel Pinheiro: ‘Não foi uma fala de compromisso, foi uma fala de oba-oba’
MATO GROSSO
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, criticou o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) por insistir no projeto do VLT (Veículo Leve sob Trilhos) em Cuiabá. Esta semana o gestor usou o Instagram para publicar um vídeo em que o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, dizia que iria “investir forte” para tirar o VLT do papel.
“Eu vi a fala do ministro. Não foi uma fala de compromisso, foi uma fala de oba-oba ali em uma reunião. Vamos fazer de conta, vamos ajudar, mas eu não vi nada concreto. Cadê o dinheiro para fazer o VLT? Quem fez compromisso? Esse ano é ano político, eles querem fazer prefeito em Cuiabá. Então são promessas e mais promessas”, disse em entrevista à rádio CBN Cuiabá.
O conselheiro admitiu que para ele o VLT seria o modal de transporte “ideal” tanto para a Capital e Várzea Grande. No entanto, o conselheiro afirmou que a possibilidade, no momento, é apenas um sonho.
O projeto que Emanuel tenta viabilizar na Capital já não é mais viável, pois o traçado que havia sido proposto em 2014 já não funcionaria para a cidade de agora.
“Vamos respeitar a população. Estamos há 10 anos esperando o VLT e nada aconteceu. O que a gente vê é briga, discussão e o povo sem um sistema de transporte decente. Chega de conversa fiada”, afirmou.
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.