POLITÍCA NACIONAL
Deputados apontam assimetria de penas aplicadas a jogadores envolvidos em fraudes no futebol
POLITÍCA NACIONAL
Durante depoimento do jogador Marcos Vinicius Alves Barreira, conhecido como Romário, à CPI que investiga manipulação de jogos de futebol, deputados demonstraram estranhamento com a assimetria de penas aplicadas pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva a jogadores de diferentes categorias envolvidos nas fraudes. Marcos Vinicius, por exemplo, ex-jogador da série B, no Vila Nova, de Goiás, foi banido do futebol por participação no esquema.
Em contrapartida, conforme ressaltou o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), outros envolvidos receberam penas menores ou foram inocentados. Ele citou o jogador Igor Cariús, do Sport Recife, que foi absolvido. Na opinião do parlamentar, a comissão deve investigar se “interesses dos grandes clubes estão sendo protegidos”.
O relator da CPI, deputado Felipe Carreras (PSB-PE), também se disse perplexo com as diferenças entre as penas recebidas por diferentes envolvidos nos esquemas para manipular jogos de futebol.
“Que critério é esse que o jogador do Vila Nova tem uma punição de ser banido do futebol e o jogador de um clube tradicional do futebol brasileiro tem uma pena de suspensão de algumas partidas? Eu acho que a gente tem que discutir isso, e essa CPI também poderá investigar por que esse tratamento diferenciado”, disse.
Conforme destacou o deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), até mesmo o colega de clube de Marcos Vinicius, Gabriel Domingos, que participou do mesmo episódio que o jogador, recebeu pena muito menor. Gabriel Domingos foi suspenso por 720 dias pela Justiça Desportiva. “A gente pode provocar o Superior Tribunal de Justiça Desportiva para exemplificar quais critérios são adotados na aplicação dessas penas”, sugeriu Lomanto.
Em seu depoimento, Marcos Vinicius alegou ter apenas apresentado o colega ao aliciador, que disse conhecer somente por Vitor. Segundo relatou, Vitor ofereceu 10 mil reais para que cometesse um pênalti no primeiro tempo de uma partida do Vila Nova no ano passado. Como não poderia jogar, Marcos Vinicius teria passado o contato do colega Gabriel Domingos, que aceitou cometer a penalidade. No fim, o colega também não foi escalado para a partida.
Regulamentação
Os deputados também voltaram a defender a regulamentação dos sites de apostas esportivas. Para os parlamentares, é fundamental proibir apostas em lances individuais, como pênaltis e cartões, que facilitariam a corrupção. Na opinião do deputado Kiko Celeguim (PT-SP), a comissão deveria tomar providência jurídicas para regular o assunto mesmo do fim das investigações.
“Enquanto houver essa relação de individualizar as apostas, de permitir que o aliciador possa pegar o elo mais fraco da cadeia, a gente vai ter esse tipo de fraude no esporte de modo geral”, lamentou. Ele propôs, um acordo entre a Justiça e as casas de aposta para cessar esse tipo de aposta individual. “Faz um termo de ajustamento de conduta para que isso não prejudique o resultado das partidas”, completou.
Assim como outros participantes, o deputado Yury do Paredão (PL-CE) considera fundamental que a CPI ouça representantes dos sites de apostas. O parlamentar, que apresentou o pedido para a realização da audiência pública, acredita que as empresas podem colaborar com a elaboração de leis para punir quem age de má de fé e retira a credibilidade do futebol brasileiro.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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