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POLITÍCA NACIONAL

Diretor do Dieese critica prática de preço internacional de combustíveis em audiência sobre venda de refinaria de Manaus

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POLITÍCA NACIONAL

Billy Boss/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Venda da refinaria Isaac Sabbá (Reman) e aumento dos Combustíveis. Dep. José Ricardo PT-AM; Carlos Alberto Meireles Marçal, gerente de Estratégia e Planejamento - Posicionamento de Negócio e Gestão de Programas Downstream e Midstream (D&M) da Petrobras
Segundo governo, venda promove livre concorrência

O analista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cloviomar Cararini, afirmou, em audiência pública da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados, que o País não precisa praticar os preços do mercado externo de petróleo por ser grande produtor e não depender da importação.

Na avaliação dele, os problemas da Petrobras vêm da política implementada desde o governo Michel Temer, com a privatização gradual da empresa e a cobrança de preços internacionais ao consumidor brasileiro.

“O Brasil está aqui em décimo lugar como maior produtor de petróleo do mundo, dados de 2021. O Brasil tem o nono maior mercado consumidor de derivados e também o nono parque de refino do mundo. Ou seja, não é um país qualquer. Então não faz sentido a gente praticar preços internacionais”, afirmou.

O debate na comissão teve como foco o impacto da venda da Refinaria de Manaus (Reman) no preço dos derivados de petróleo e na economia da região. Para o autor do pedido para a realização da audiência, deputado José Ricardo (PT-AM), além da perda de impostos para o estado, a venda da refinaria pode provocar desabastecimento e aumento do preço dos combustíveis.

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Para ele, é preciso compreender a lógica da venda da refinaria e analisar as consequências. “A questão do preço dos combustíveis é algo muito caro para a população. Precisamos compreender como isso [a venda da refinaria] pode incidir para aumentar mais ainda os preços.  A Petrobras parece que não quer ouvir ninguém nesse País, toda semana querendo aumentar o preço do combustível”, afirmou.

Política energética
O coordenador-geral de Acompanhamento do Mercado do Ministério das Minas e Energia, Deivson Timbó, afirmou que a venda de refinarias vem ao encontro da política energética nacional, implementado em 2016 no governo do presidente Michel Temer.

Timbó explica que a intenção é promover a livre concorrência, garantir o abastecimento e preservar os interesses do consumidor. “Quanto maior for a competição no fornecimento primário de derivados de petróleo, mais benefícios ao consumidor quanto a preço, qualidade e oferta de produto.”

O deputado José Ricardo acredita, no entanto, que a venda da refinaria vai produzir um monopólio privado na região. O parlamentar contestou o argumento de aumento da concorrência, tendo em vista que a Usina de Manaus é a única num raio de 5 mil quilômetros. “Eu só não entendi como é que vai ter concorrência se só temos uma refinaria lá na região Norte”, criticou.

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Preços maiores
A pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep), Carla Ferreira, citou o exemplo da Bahia, onde a privatização da refinaria de Rlam, em março de 2021, ocasionou aumento de preços nas bombas de combustíveis do Estado.

“Há uma diferença de preço médio da venda do óleo diesel na Bahia de 5% em relação à média nacional. Então, a gente observa que, ao contrário do argumento de que a venda traria essa concorrência e redução de preços, houve aumento nos preços médio nos postos de gasolina na Bahia.”

A refinaria de Manaus, Isaac Sabbá, foi vendida em agosto de 2021. Mas a venda ainda não foi definitivamente concluída porque a Federação Única dos Petroleiros recorreu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Reportagem – Silvério Rios
Edição – Rachel Librelon

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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