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Considerado morto há 9 anos, homem descobre que irmão foi morto e usava seu documento

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Declarado morto há nove anos, equivocadamente, o pedreiro Paulo Roberto Gonçalves, 41 anos, teve seu Cadastro de Pessoa Física (CPF) cancelado — e somente em 2021, ficou sabendo que não “existia mais” para a sociedade. Sem saber que estava “morto”, o pedreiro foi a uma unidade de saúde para se vacinar — mas não conseguiu. Ele também precisava fazer um tratamento médico, mas o Sistema único de Saúde (SUS) se recusou. O caso ocorreu em Campo Verde (a 136 km de Cuiabá).

Por conta do equívoco, Paulo Roberto, ao buscar a verdade para resolver o problema, foi à Delegacia de Campo Verde — e descobriu que seu documento foi usado por seu irmão, que havia sido morto em 26 de janeiro de 2012, no município de Sorriso, quando teria tentado assaltar um estabelecimento comercial. Entrou em luta corporal com um segurança, foi asfixiado até a morte e enterrado com o nome de Paulo Roberto e a Certidão de Óbito foi emitida.

“Por mais errado que ele tenha sido, a gente sente pelo ente que se foi. Mas é um alívio, principalmente para minha mãe, que agora pode parar de procurar por ele (irmão) e a vida segue”, desabafou.

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A descoberta do cancelamento do CPF se deu ao tentar abrir um crédito, em uma loja de autopeças, em outubro de 2021. “Fui fazer uma compra aqui em Campo Verde e meu CPF não estava dando certo, baixei um aplicativo de celular do SCPC Serasa, e lá constava que o titular era falecido. De imediato o espanto”, revelou.

Para resolver este equívoco e voltar à “vida” e ter seu CPF novamente — Paulo recorreu à Justiça, por meio da Defensoria Pública, que ingressou com uma ação e, em menos de dois meses a juíza da 2.ª Vara Cível de Campo Verde, Maria Lucia Prati, sentenciou favorável a ele. A juíza designou uma perícia na semana seguinte ao ingresso da ação, em dezembro. No último dia 26 de janeiro, a magistrada sentenciou e declarou a nulidade da certidão de óbito e determinou a apuração de irregularidades na lavratura da certidão de óbito.

Natural de Diadema, Estado São Paulo, Paulo Roberto reside em Campo Verde desde 2003. Apesar de toda confusão com seu documento, ele contou que nunca esteve em Sorriso (a 418 km de Cuiabá).

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FONTE/ REPOST: EDINA ARAUJO – VG NOTÍCIAS 
(Com informações do TJMT).

 

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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva

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A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.

Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.

Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.

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Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.

Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.

Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.

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Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.

Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.

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