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Após Ato pela Terra, Pacheco promete cautela do Congresso na análise de propostas ambientais polêmicas

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Paulo Sergio/Câmara dos Deputados
Ato em defesa dos povos indígenas. Sen. Rodrigo Pacheco DEM-RO ; Caetano Veloso - Artista
Rodrigo Pacheco com deputados e Caetano Veloso (de máscara azul)

O presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), prometeu cautela na análise de cinco projetos de lei listados pelo “Movimento 342 Amazônia” como danosos aos interesses socioambientais. O compromisso foi feito nesta quarta-feira (9) durante o evento Ato pela Terra, que reuniu artistas e entidades da sociedade civil em Brasília.

O movimento chama de “pacote da destruição” as propostas que tratam de licenciamento ambiental (PL 3729/04); mudança nas regras de registro de agrotóxicos (PL 6299/02) e regularização fundiária (PL 2633/20), além de outros dois projetos ligados ao marco temporal (PL 490/07) e à exploração mineral (PL 191/20) em terras indígenas.

Alguns já foram aprovados na Câmara dos Deputados. Após se reunir com artistas e organizadores do Ato pela Terra, Rodrigo Pacheco garantiu que essas propostas não terão análise acelerada no Senado.

“É uma das mais belas manifestações da sociedade civil que este Congresso Nacional já viu. Nós vamos ter toda a cautela porque não podemos ser compreendidos – nem o Congresso Nacional nem o nosso país – como párias internacionais afastados da pauta do meio ambiente”, disse.

O cantor e compositor Caetano Veloso, porta-voz dos artistas durante o encontro, leu uma carta entregue a Pacheco e fez um apelo: “O desmatamento na Amazônia saiu do controle. A violência contra indígenas e outros povos tradicionais aumentou. Uma série de projetos de lei ora em pauta no Congresso Nacional pode tornar a situação ainda mais grave. Se aprovadas, podem permitir o desmatamento, o garimpo em terras indígenas e desproteger a floresta contra a grilagem”.

Pacheco assumiu o compromisso de que “nenhum desses projetos será diretamente pautado no Plenário do Senado Federal sem a apreciação e a tramitação devida no âmbito das comissões permanentes e temáticas da Casa”.

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Ele ressaltou a necessidade de diálogo e de pontos de convergência para que tais propostas não sejam confundidas com grilagem de terra e “passe livre para o desmatamento e a violação ambiental”.

Paulo Sergio/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep. Joenia Wapichana REDE-RR
Joenia Wapichana espera que o ato se reflita dentro da Câmara

Terras indígenas
Coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas, a deputada Joenia Wapichana (Rede-RR) fez avaliação positiva da pressão do Ato pela Terra e espera reflexos também na Câmara, a fim de impedir a votação acelerada do projeto de lei do Executivo que libera a exploração mineral em terras indígenas.

“Nós temos que ter esperança: pelo menos, o que ele [Pacheco] apresentou de compromisso tem que ser o normal. Que não se tenha medo de um debate lá dentro das terras indígenas e que se abra a Casa para uma discussão mais transparente, participativa e sem a pressão do agronegócio e daqueles que só têm cobiça nas terras indígenas”, disse a deputada.

Joenia prevê novos protestos durante o Abril Indígena, com várias manifestações em Brasília. Coordenador do Fórum Nacional Permanente em Defesa da Amazônia, o deputado Airton Faleiro (PT-PA) rebateu os argumentos governistas de que a liberação dessa exploração mineral seria necessária diante dos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia na importação de fertilizantes agrícolas por parte do Brasil.

“Está comprovado que 85% do que se refere aos fertilizantes estão fora das terras indígenas. Não precisa de extração desse mineral em terras indígenas”, afirmou.

Txai Suruí – que foi a representante indígena do Brasil na COP-26, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas – alertou deputados e senadores sobre o que seria a estratégia governista adotada neste ano. “Este ano vai ser o ano em que eles vão querer passar tudo o que ainda não foi passado: todos os projetos que atacam os nossos direitos e atacam as nossas vidas”, afirmou.

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Artistas
Na reunião com Rodrigo Pacheco, vários artistas discursaram para pedir que os projetos de lei polêmicos sejam barrados, como foram os casos do cantor e compositor Seu Jorge. “Estou aqui como cidadão e peço que efetivamente barrem todos esses projetos que não têm a ver com o futuro do povo brasileiro”, afirmou.

A atriz Christiane Torloni citou personalidades defensoras do meio ambiente. “Eu gostaria de usar as palavras do Frans Krajcberg de que isso seria um ‘grito pela terra’. E também lembrar as palavras do Papa Francisco implorando para que nós cuidemos da nossa da casa comum.”

Já o cantor, compositor e escritor Chico Buarque de Hollanda conversou com a plateia por vídeo-mensagem: “Eu tenho certeza que, no Senado, vão impedir ou pelo menos adiar, o quanto for possível, a aprovação de um projeto dessa natureza, que é criminoso”.

Paulo Sergio/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas. Dep . Rodrigo Agostinho PSB - SP
Rodrigo Agostinho, coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista

Garimpo e prostituição
Vice-líder da Oposição na Câmara, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) reforçou o discurso contra a exploração mineral em terras indígenas, que está em análise pelos deputados neste momento.

“O projeto 191 leva a mineração para as terras indígenas. Nós já sabemos como é o garimpo: o garimpo é fome e prostituição para aqueles que veem a sua terra arrasada com a exploração. É isso que temos de evitar imediatamente”, disse a deputada.

Coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) espera a retomada de diálogo após o Ato pela Terra. “A gente está muito preocupado com tudo isso. Eu acredito que é importantíssimo que a gente retome o diálogo e possa repensar esses projetos e essas matérias”, declarou.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Roberto Seabra

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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