MATO GROSSO
Governo de MT concede R$ 7 milhões em créditos e aquece mercado de trabalho em Cuiabá
MATO GROSSO
Cuiabá completou nessa sexta-feira (08.04) 303 anos conquistando corações: mesmo aqueles que não são da capital mato-grossense possuem um amor pela cidade. Mariana Spadacio, de 34 anos, é um exemplo. Nascida no Acre, Mariana chegou em Cuiabá com seis meses de vida, onde permaneceu até os 18 anos. Treze anos depois, escolheu a capital para realizar o sonho de abrir o seu próprio negócio.
Mariana e seu esposo Murilo são proprietários, há três anos, de uma franquina da Casa Bauducco, localizada no Shopping Pantanal, em Cuiabá. Segundo ela, o negócio surgiu daquilo que eles mais gostavam de fazer.
“Vivíamos em aeroporto por conta do nosso namoro à distância e sempre frequentávamos uma Casa Bauducco. Então surgiu a ideia de traze-la para Cuiabá. Os valores da marca eram bem parecidos com os nossos: receber a família em um ambiente aconchegante enquanto saboreamos um café delicioso e uma fatia de panetone quentinha”, conta Mariana.
Para a realização do sonho, Mariana contou com ajuda da DesenvolveMT, por meio das ofertas de linhas de crédito e taxas de juros abaixo do mercado. Ao todo, são mais de nove opções disponíveis para o empreendedor de Cuiabá.
Para o casal, o crédito obtido com a agência foi de extrema importância para a manutenção dos empregos e dos fornecedores durante a pandemia, pois eles já estavam investindo suas economias na reforma do estabelecimento.
“O apoio foi importante para continuarmos nosso sonho. Me sinto realizada de empreender em uma cidade que sempre me acolheu muito bem e que tem um potencial enorme de crescimento. Aqui realizei meus sonhos profissionais e é onde quero e tenho certeza de que vou realizar ainda mais”, acrescenta Mariana.
Cuiabá, terra do empreendedorismo
Os pequenos negócios são parte importante do empreendedorismo e, em Cuiabá, tem sido registrado crescimento na formalização de microempreendedor individual (MEI). Em 2021, foram 13.247 novas empresas formalizadas, enquanto em 2020 foram 12.780, segundo a Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat). Em todo o Mato Grosso esse número é ainda maior.
“A abertura de MEIs no Estado bateu o recorde. Durante a pandemia, nossa missão foi ofertar capital de giro e financiar outros itens para pessoas jurídicas, contribuindo para a formalização de empresas e geração de empregos formais”, conta Jair Marques, presidente da Desenvolve MT.
No ano passado, mais de R$7 milhões foram liberados em linhas de crédito para os empreendedores somente de Cuiabá. É o caso da Brous Brownie, uma empresa que começou pequena com a microempreendedora cuiabana Thathyanna Costa, 33 anos.
Para custear uma viagem, ela começou a fazer brownies para vender. As vendas se tornaram um sucesso em pouco tempo e a mãe, que vendia roupas, também passou a se dedicar à produção dos brownies.
De acordo com Thathyanna, no início, quando a venda era diretamente para o consumidor, os brownies eram produzidos de forma artesanal, em um pequeno forno. Com o aumento das vendas, principalmente para revenda, foi necessário investir em uma cozinha maior.
Com a expansão, o negócio se tornou microempresa (ME). Atualmente a loja conta com mais de 50 pontos de venda do produto, e toda a família passou a integrar o negócio. Thathyanna fica à frente da parte administrativa, comercial e de marketing, enquanto sua irmã Lucyanna e sua mãe, Valquíria, realizam a parte operacional da produção. O padrasto é o responsável pelas entregas.
“Com o crédito da Desenvolve MT, vamos conseguir comprar uma das máquinas para a nossa nova cozinha, que nos possibilitará atendermos com o dobro da capacidade de entrega”, acrescenta Thathyanna.
Para ela, a cidade e as empresas genuinamente cuiabanas possuem muito potencial para crescer e evoluir, desde que seja com planejamento, perseverança e muito trabalho.
(Com supervisão e edição de Livia Rabani)
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.