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Deputada cobra a garantia de direitos básicos na Terra Indígena Ianomâmi

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A deputada Joenia Wapichana (Rede-RR) cobrou de autoridades federais e estaduais, nesta quarta-feira (6), a garantia de educação, saúde e proteção dentro da Terra Indígena Ianomâmi, alvo de garimpo ilegal e de outras invasões criminosas. O debate ocorreu em audiência pública com representantes do Exército e das secretarias de educação de Roraima e do Amazonas, na comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a insegurança e a onda de crimes em território ianomâmi. Segundo Joenia, algumas demandas surgiram nas diligências da comissão na terra indígena, em Roraima.

“Nós ouvimos lideranças principalmente nas comunidades indígenas que são assediadas pelos invasores, como o Palimiú, onde garimpeiros ligados a organizações criminosas dispararam tiros, no ano passado. E a gente viu cenas em que passavam com arma de fogo e jogando bombas caseiras por vários dias”.

Representante do Comando Militar da Amazônia do Exército Brasileiro, o coronel Rogério Rabello destacou o desafio de patrulhar os 96 mil km² da maior terra indígena do País, que só tem acessos aéreo e fluvial. Mesmo assim, Rabello afirmou que existe “apoio permanente” do Exército na região, sobretudo no patrulhamento e no apoio a atendimentos médicos, prevenção e vacinação contra Covid-19.

Billy Boss/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Ações desenvolvidas na Terra Indígena Yanomami por órgãos do Governo Federal e dos Governos dos Estados de Roraima e do Amazonas
Joenia disse que as demandas surgiram nas diligências da comissão

“Nós também tivemos operações episódicas, como a desativação de 26 garimpos ilegais, dez pistas de pouso clandestinas, ocupação da base de apoio e proteção etnoambiental e demarcação no rio Mucajaí, em um total de 615 dias em apoio à Funai para impedir a entrada de não indígenas em terra ianomâmi, assim como combater os delitos ambientais que ocorrem na terra indígena”, disse Rabello.

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Segundo ele, dois pelotões de fronteira também ajudam nessa fiscalização, inclusive com foco em coibir o tráfico internacional de drogas na região.

Educação
As secretarias de Educação de Roraima e do Amazonas detalharam a estrutura disponível na Terra Indígena Ianomâmi e incluíram o difícil acesso às aldeias como um dos desafios. O gerente de Educação Escolar Indígena do Amazonas, Alcilei Neto, citou outro problema mais específico dos ianomâmis.

“Temos alguma dificuldade em implementar políticas em função da própria cultura ianomâmi, que é um povo nômade. Sempre que há algum problema deles, eles se dividem e passam para outras aldeias, outros territórios, e com isso a programação de contrato dos professores é prejudicada”.

Roraima abriga a maior parte da terra indígena e mantém 21 escolas ianomâmis e seis Ye’kuana, com cerca de 1.200 alunos matriculados. Representante da Secretaria de Educação do estado, a professora Isabel Lima informou que, a pedido de lideranças indígenas, as aulas foram suspensas em 2020, no auge da pandemia de Covid-19. O ano letivo está sendo retomado gradativamente.

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A deputada Joenia Wapichana ressaltou o papel da educação entre os direitos indígenas. “São grandes desafios realmente: tanto o acesso quanto a implementação da política pública. Por isso que a gente está se debruçando aqui para tentar amenizar toda essa problemática, porque a educação é a principal entrada e acesso aos outros direitos”, disse.

A deputada reclamou do atraso na implantação do Território Etnoeducacional Ianomâmi, pactuado no Ministério da Educação desde 2013. Para os debatedores, a extinção da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secadi) do MEC dificultou a articulação dessa política pública entre Roraima, Amazonas e as lideranças indígenas. Os territórios etnoeducacionais foram instituídos por decreto presidencial (Decreto 6.861/09) como instrumento de gestão da educação indígena em consonância com a territorialidade de seus povos, independentemente da divisão política entre estados e municípios.

Línguas cooficiais
A deputada comemorou a aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça, do Projeto de Lei 3074/19, que reconhece as línguas indígenas como cooficiais nos municípios que abrigam tais comunidades. Para Joenia, a proposta protege o patrimônio cultural dos povos originários e contribui para a valorização da pluralidade linguística do país.

Se não houver recurso para que seja votado no Plenário, o projeto seguirá para o Senado.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados Federais

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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