MATO GROSSO
MT imuniza 99,83% do rebanho na segunda etapa de vacinação
MATO GROSSO
Mato Grosso vacinou 15.251.763 bovinos e bubalinos na segunda etapa de vacinação contra febre aftosa e atingiu 99,83% do rebanho a ser vacinado no Estado. Nessa etapa, foi obrigatória a vacinação de bovinos e bubalinos até dois anos de idade, exceto nos estabelecimentos rurais do Baixo Pantanal Mato-grossense, onde a vacinação atingiu todas as idades.
“A baixa inadimplência é resultado dos trabalhos de divulgação, educação sanitária, fiscalização e dedicação dos produtores rurais”, apontou o médico veterinário João Marcelo Brandini Néspoli, da Coordenadoria de Sanidade Animal do Indea.
Na Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação, localizada na região Noroeste de Mato Grosso, que compreende o município de Rondolândia em sua totalidade e partes dos municípios de Comodoro, Juína, Aripuanã e Colniza, a vacinação está proibida desde 2020.
Conforme a série histórica da vacinação de animais jovens nos últimos 21 anos, observa-se que desde 2007 as etapas envolvendo bovinos e bubalinos até dois anos de idade têm alcançado índices de vacinação superiores a 99%.
No decorrer da etapa, foram fiscalizadas as vacinações em 2.492 estabelecimentos rurais com um rebanho de 477.451 bovinos. No dia 14 de dezembro, quando os dados foram extraídos, havia um total de 4.822 inadimplentes. Com a atuação das equipes do Indea, em 26 de janeiro o número caiu para 812 casos remanescentes a serem resolvidos.
Outro dado importante é que as taxas de vacinação e rebanhos nas diferentes Unidades Regionais do Indea do Estado verifica-se homogeneidade na aplicação da vacina. Todas com índices superiores a 99%.
O Indea e os produtores rurais tem se esforçado para que 2022 seja o último ano da vacinação contra a febre aftosa. A ideia é se conseguir o status de Zona Livre da Febre Aftosa Sem Vacinação e, com isso, atingir mercados mais exigentes e que remuneram melhor ao produtor.
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.