MATO GROSSO
Politec conclui que incêndio no Hospital São Benedito teve início no ar-condicionado
MATO GROSSO
A Gerência de Perícias de Meio Ambiente e Engenharia Legal da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu o laudo pericial sobre o incêndio que aconteceu no Hospital Municipal São Benedito, em Cuiabá, no dia 15 de maio deste ano. A perícia apontou que o incêndio teve início no ar-condicionado da enfermaria 25, e não se espalhou para outros ambientes do hospital.
Com base nos vestígios encontrados as causas mais prováveis são superaquecimento do motor da unidade evaporadora do ar-condicionado e/ou curto circuito nas emendas.
O motor da unidade evaporadora do aparelho incendiado foi coletado para avaliação na bancada da Politec junto com parte da fiação. Foi verificado que não havia indícios de curto circuito na placa eletrônica do ar-condicionado. No laudo pericial, o perito criminal constatou que havia muitas emendas nos fios coletados e a presença de pérolas de fusão. Essas emendas são feitas na instalação do ar-condicionado e podem aumentar a chance de superaquecimento da rede elétrica e provocar curtos circuitos.
O perito observou que o superaquecimento do motor do equipamento também pode levar ao aquecimento da rede elétrica e provocar o curto circuito, e como se tratava do ar-condicionado de uma enfermaria de hospital, ele provavelmente operava por várias horas seguidas e ininterruptas, o que aumentam as chances de um superaquecimento do motor.
O laudo foi disponibilizado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Civil nesta sexta-feira (27.05).
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.