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Debatedores defendem melhoria das condições da pós-graduação no Brasil

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Melhorar a atratividade dos programas de pós-graduação representa um passo fundamental para o desenvolvimento do País, sustentaram, nesta quinta (14), debatedores sobre as condições dos estudantes na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.

Atualmente, como ressaltou o presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Vinícius Soares, alunos de mestrado e doutorado se encontram no “limbo”. Isso porque, ao mesmo tempo em que são estudantes, também atuam como professores, mas sem nenhum direito trabalhista ou previdenciário.

Vinícius Soares destacou que a luta para assegurar proteção social a pós-graduandos é antiga, de quase 40 anos. Segundo ele, em 1989 o então deputado Florestan Fernandes apresentou projeto na Câmara para regulamentar esses direitos.

A proposta nunca foi votada. Só em 2007 o Congresso aprovou uma lei que assegura a licença-maternidade para as estudantes, mas apenas para bolsistas.

Perda de talentos
A principal consequência da pouca atratividade dos programas de pós-graduação, conforme Vinícius Soares, é a perda de talentos. “Hoje o País vem enfrentando fenômenos sociais da perda de talentos, porque os nossos mestres e doutores que se formaram no último período estão migrando para profissões de menor adensamento científico e tecnológico, estão tendo que virar Uber, fazer docinho para sobreviver”, lamentou.

“Precisamos fazer um debate de responsabilidade, inclusive, social, porque o Brasil investiu recursos nessas pessoas, e o Estado brasileiro precisa agora aproveitar e prover oportunidade para que essas pessoas possam contribuir com o desenvolvimento nacional”, acrescentou Soares.

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A falta de perspectiva profissional também foi apontada como um sério problema pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão.

Ele ressaltou que o Brasil sempre formou mestres e doutores para atuar em pesquisa. O desafio agora seria promover a ocupação desses profissionais também nos setores produtivos.

Perfil das grandes empresas
De acordo com o professor, uma pesquisa recente mostrou mudança radical na natureza das principais empresas do mundo. Enquanto em 2013 as corporações mais importantes estavam no comércio, como Wall Mart, em 2023, as seis maiores são do setor tecnologia.

No Brasil, ao contrário, não houve alteração no perfil das empresas. As cinco maiores instituições em 2013 e hoje seriam bancos.

“Nós estamos agora avançando na economia do conhecimento, e, se o País não tiver um nível muito alto de formação, e também até uma sociedade que tenha alfabetização científica mais aprofundada, nós vamos ficar para trás”, alertou Ricardo Galvão.

Adequação de currículos
A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Mercedes Bustamante, reconhece que a pouca interação da academia com o mercado produtivo representa um entrave ao desenvolvimento.

Ela defende uma adequação dos currículos universitários para maior interação com outros setores, como administração pública, saúde e indústria.

Autora do pedido para a realização da audiência pública, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), se comprometeu a atuar para a solução de alguns dos problemas apontados.

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A parlamentar ressaltou que a Câmara já analisa um projeto para estende a licença-maternidade a estudantes que não são bolsistas. Ela disse que vai ampliar o conceito para licença parental, de forma a abranger estudantes do sexo masculino.

Alice Portugal também disse que outra proposta em análise na Casa trata de direitos previdenciários para pós-graduandos. Agora o desafio é encontrar formas de financiar a medida.

“Seria uma isenção fiscal a quem eleva a qualidade técnica e tecnológica de seus quadros? E por que não? Nós estamos dando isenção a quem não deixa nada”, comparou.

Ela lembrou que há dois anos atrás, na pandemia, quando o Congresso aprovou a Lei Aldir Blanc 1 também não havia de onde tirar o dinheiro. “E aí, eu fui parar na mineração. Não deixam quase nada de impostos, têm isenção há mais de 20 anos. Então, vamos dar a quem devolve”, explicou.

Números da pós-graduação
Dados da Capes mostram que o Brasil conta com mais de 4.500 programas de pós-graduação, e quase 7 mil cursos.

A presidente do órgão, Mercedes Bustamante, adiantou que no ano que vem outros 300 cursos devem entrar no sistema.

Entre 2013 e 2021, quase 13 mil estudantes ingressaram em um programa de mestrado ou doutorado, e aproximadamente 80 mil receberam um título nesse período.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Natalia Doederlein

Fonte: Câmara dos Deputados

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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