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Efeito Cotribá: decisão inédita ameaça ou protege o agronegócio em Mato Grosso?

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A decisão inédita que concedeu à cooperativa gaúcha Cotribá uma proteção judicial semelhante à recuperação judicial (RJ), mesmo sem previsão legal expressa, tornou-se um dos episódios mais controversos do direito empresarial recente. E seus efeitos podem ir muito além das fronteiras do Rio Grande do Sul.

Em estados com forte presença do agronegócio, como Mato Grosso, o episódio acende um alerta: se um tribunal abriu a porteira para uma solução jurídica inédita, outros estados podem sentir-se estimulados a testar caminhos semelhantes.

Mato Grosso abriga algumas das maiores cooperativas, tradings e empresas do país. Seu ciclo econômico depende intensamente de crédito rural, armazenagem complexa, logística cara e cadeias produtivas altamente interligadas. Nesse ambiente, decisões que flexibilizam mecanismos de proteção financeira são observadas de perto, e podem rapidamente se transformar em estratégia.

Segundo levantamento da Serasa Experian, a inadimplência no agronegócio alcançou 8,1% no terceiro trimestre de 2025, o maior índice desde o início da série histórica, em 2022. Em muitos casos, as dívidas já ultrapassam 180 dias de atraso. O cenário reforça o estresse financeiro vivido pelo setor e ajuda a explicar por que precedentes como o da Cotribá repercutem tão fortemente no país.

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Para justificar sua decisão, em novembro de 2025, o juiz Eduardo Sávio Busanello argumentou que a Cotribá, embora juridicamente distinta de uma empresa, opera com porte, faturamento e estrutura equivalentes às grandes corporações do agro e que, portanto, mereceria acesso a instrumentos típicos da atividade empresarial. A tutela concedida suspendeu execuções, bloqueios e cobranças por 60 dias, dando fôlego ao caixa e permitindo que a cooperativa reorganizasse suas dívidas bilionárias.

O magistrado acolheu essa tese e, afastando o formalismo da lei, aplicou por analogia os mecanismos da recuperação judicial, invocando princípios como a preservação da empresa e a função social da atividade econômica — aqueles que, na prática, parecem servir tanto para justificar decisões inovadoras quanto para críticas por suposta elasticidade interpretativa.

Se, por um lado, a medida foi celebrada como forma de evitar um colapso que poderia arrastar produtores, funcionários e fornecedores, por outro, reacendeu o debate sobre ativismo judicial, insegurança jurídica e incentivos potencialmente perversos. Afinal, cooperativas sempre estiveram fora do alcance da RJ por determinação legal, e flexibilizar essa barreira pode gerar efeitos inesperados em outros estados.

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Em um contexto de seca, quebras de safra e oscilações violentas de preços, fenômenos frequentes no Centro-Oeste, o Judiciário pode ser acionado tanto como instrumento de sobrevivência quanto como ferramenta estratégica de renegociação. Para Mato Grosso, isso pode representar, simultaneamente, uma rede de proteção em momentos críticos e uma nova camada de incerteza no já complexo ambiente de crédito do agronegócio.

O “Efeito Cotribá” não é apenas um debate jurídico: é um sinal de que o mapa de riscos do agronegócio está mudando. Se decisões semelhantes começarem a se replicar, Mato Grosso pode se tornar palco dos próximos capítulos dessa história, seja como protagonista de soluções emergenciais, seja como vítima da insegurança que precedentes ousados podem gerar.

No fim, o caminho dependerá de como o Judiciário brasileiro lidará com esse novo “campo minado”: criativo o suficiente para oferecer soluções inéditas, mas perigoso demais para ser pisado sem cautela.

Felipe Iglesias é advogado e especialista em Direito Empresarial, à frente do Iglesias Advogados, referência no Mato Grosso em recuperação litigiosa de créditos em recuperação judicial

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Administrador hospitalar: a liderança que transforma gestão em cuidado

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Muito se fala sobre médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam na linha de frente da assistência à saúde. Mas existe uma figura indispensável para que todo esse sistema funcione de forma eficiente, segura e sustentável: o administrador hospitalar, que é homenageado no dia 14 de julho.

É esse profissional que faz a conexão entre estratégia, pessoas, tecnologia e recursos para garantir que hospitais e clínicas consigam cumprir sua missão principal: cuidar de vidas. Em um cenário de custos crescentes, transformação digital acelerada e pacientes cada vez mais exigentes, administrar uma instituição de saúde deixou de ser apenas uma atividade operacional para se tornar uma função altamente estratégica.

A gestão hospitalar moderna exige decisões baseadas em dados, planejamento financeiro, controle de indicadores, gestão de pessoas, conformidade regulatória e capacidade de inovação. Tudo isso sem perder de vista o aspecto mais importante do setor: a humanização do atendimento.

O administrador hospitalar trabalha nos bastidores, mas seu impacto é percebido diretamente na experiência do paciente. Nos últimos anos, a pandemia evidenciou ainda mais essa importância. Os gestores precisaram reorganizar fluxos, ampliar leitos, administrar crises de abastecimento, proteger equipes e garantir a continuidade da assistência em um dos momentos mais desafiadores da história da saúde. Ficou claro que hospitais resilientes dependem de lideranças preparadas.

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Hoje, os desafios permanecem. O envelhecimento da população, a incorporação constante de novas tecnologias, sustentabilidade financeira e a escassez de mão de obra qualificada exigem administradores cada vez mais capacitados para conduzir instituições complexas.

No Dia do Administrador Hospitalar, o reconhecimento vai além da homenagem individual. É uma oportunidade para valorizar uma profissão que contribui diariamente para fortalecer o sistema de saúde, promover eficiência e ampliar a qualidade da assistência prestada à população.

Investir na formação, valorização e desenvolvimento desses líderes é investir em hospitais mais preparados, organizações mais sustentáveis e, principalmente, em uma saúde mais acessível, segura e humana para todos.

Altino José de Souza é médico e presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de Mato Grosso (Sindessmat)

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