POLITÍCA NACIONAL
Municípios de pequeno porte concentram maior número de obras paradas no País, informa CGU
POLITÍCA NACIONAL
As obras paralisadas no Brasil estão concentradas em municípios de pequeno porte e com problemas fiscais, segundo diagnóstico da Controladoria-Geral da União (CGU) apresentado nesta quarta-feira (11) em debate da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. O colegiado se reuniu para discutir a situação de empreendimentos parados há pelo menos 180 dias.
O assessor técnico da Secretaria Federal de Controle Interno da CGU, Vicente de Morais, informou que municípios de até 50 mil habitantes têm oito vezes mais obras paralisadas que aqueles com mais de 500 mil habitantes, conforme levantamento de 2020 sobre empreendimentos custeados com recursos federais nas áreas de turismo, infraestrutura, tecnologia, entre outras.
“Isso, de certa forma, reflete uma menor capacidade de investimento do ente subnacional que depende de maiores aportes da União para concluir os empreendimentos e principalmente de uma menor capacidade técnica e administrativa para executar a obra”, explicou Morais.

Ele frisou que, quanto pior a gestão fiscal nos municípios, maior o número de obras paralisadas. Entre outras razões, Morais citou problemas técnicos na execução de empreendimentos de menor vulto, dificuldade na elaboração de projetos e parcerias malsucedidas.
Ainda segundo esse diagnóstico, 54,6% das obras paralisadas são campos e quadras esportivas, escolas e creches e obras de pavimentação e calçamento urbano.
Paralisação por área
Conforme a CGU, das mais de 32 mil obras em execução no Brasil, 21.564 estão em andamento e 11 mil estão paralisadas ou inacabadas.
Quando se analisa a quantidade de obras paradas por ministério, destacam-se o da Educação, o do Desenvolvimento Regional e o da Cidadania, que são responsáveis por obras de menor porte, como escolas, pavimentação de ruas e construção de quadras poliesportivas.
Por outro lado, ao se observar os valores dos empreendimentos paralisados, despontam na lista outra vez o Ministério do Desenvolvimento Regional, o Ministério de Minas e Energia e o Ministério da Infraestrutura, por obras de grande vulto, como infraestrutura rodoviária e exploração de petróleo e gás.
Financiamento
O coordenador-geral de Planejamento e Orçamento do Ministério da Saúde, Pedro Sanchez Soares, apontou que existem hoje 271 obras paralisadas na área da saúde financiadas via Caixa Econômica Federal. Segundo ele, para esses empreendimentos, já foram desembolsados R$ 240 milhões em recursos públicos. “Não é falta de orçamento o que tem contribuído para esse volume de obras paralisadas”, ressaltou.
“É um desafio lidar com esse universo de obras paradas, porque a gente também lida com um volume muito grande de restos a pagar, de recursos que já foram comprometidos, mas que não representaram efetiva entrega da política”, complementou. Ele disse que é preciso melhorar o planejamento, para que os projetos não se arrastem no tempo e tenham viabilidade econômica.
Nesse ponto, o deputado Jorge Solla (PT-BA), que propôs o debate, defendeu o financiamento fundo a fundo, que não usa intermediários bancários, como forma de agilizar a execução dos empreendimentos. Ele elogiou os contratos firmados por esse modelo pelo Ministério da Saúde na atenção básica, que tem só 5% de obras paralisadas de um total de 34 mil unidades básicas de saúde.
“Os resultados falam mais do que qualquer argumento que a gente possa tratar: 5% com problemas ou indícios de paralisação. Comparando com as modalidades que foram apresentadas aqui, como a Caixa Econômica, a discrepância é muito grande”, sustentou.
Minha Casa, Minha Vida
A coordenadora de Melhoria Habitacional do Ministério do Desenvolvimento, Monique Toledo Salgado, estima que existam atualmente 44 mil unidades habitacionais paralisadas no programa Minha Casa, Minha Vida.
Como solução para esse impasse, ela informou que foi concedido prazo até fevereiro de 2023 para a retomada das obras. “Se todas as que retomarem forem finalizadas, a gente vai ter um saldo negativo de cerca de 5 mil unidades sem finalizar”, disse.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Marcelo Oliveira
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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